Olá, Master
Amigos!
Tudo bem com
vocês?
Hoje, farei
algo um pouco diferente dos reviews tradicionais. Na verdade, será como uma
resenha sobre uma revista, no caso, a segunda edição da Videogame, publicada
entre fevereiro e março de 1991.
Vamos fazer
essa viagem no tempo? “Boralá”,
então!
Era outro mundo
– Primeiro,
é necessário deixar claro, aqueles eram tempos muito diferentes. Não havia
internet, smatphones ou jogatinas online. Em linhas gerais, o rítmo de vida era
“menos acelerado”. No que se refere à mídia, éramos praticamente passivos, em
relação, ao acesso à informação e tínhamos poucos meios disponíveis. Exemplo...
muitas vezes, só sabíamos que um filme tinha sido feito, quando ele estava em cartaz
nos cinemas, ainda assim, meses depois de seu lançamento oficial. Com os jogos
de videogame, a situação se repetia.
Em nosso país, houve uma medida governamental com relação à
produtos de informática (só para permanecer no mérito do texto), chamada de Reserva de Mercado. Era a restrição à entrada
de importados, sob a alegação, de proteger nossa indústria. Assim, esses mesmos
produtos, precisavam ser produzidos em nosso país.
Sem entrar em detalhes, para não me alongar demais, isto
nos atrasou bastante tecnologicamente. Enquanto estávamos alucinados no Atari e
seus clones, nos Estados Unidos e Japão, Nintendo, Master System, entre outros,
eram as estrelas da vez.
Este período, especialmente no Brasil, foi bem curioso e
vale a pena dar uma pesquisada. Tem documentários completos no You Tube sobre
esses assuntos.
Publicações
especializadas – Elas já existiam. Sempre houve demandas de variados
segmentos como os de automóveis, cinema, moda, comportamento, televisão, a
lista segue. Mas, e sobre a nova onda que acabava de aportar em terras
brazucas, a Terceira Geração de Videogames? Elas, não tardaram a surgir.
Nos anos 80, havia revistas que abordavam o mundo dos
computadores e, por tabela, os jogos que rodavam nessas máquinas. Tinha ainda, as
dedicadas ao Atari. Entretanto, esse panorama, mudaria radicalmente no ínicio
da década de 90.
A primeira, saiu por meio da esportiva A Semana em Ação,
que soltou uma edição batizada de A Semana em Ação – Especial Games. Foram duas
e, uma delas, tem a famosa entrevista com um jovem Rubens Barrichello,
encarando o Super Monaco GP do Mega Drive. Com o sucesso, ganhou vôo próprio,
virando a conhecida Ação Games.
Naquele mesmo final de 1990, surgia a Videogame. Uma
derivação de outra publicação maior, a Video News (especializada em cinema), também
alcançou sucesso editorial. O mercado estava ávido por notícias e todas vendiam
muito bem. A concorrência entre elas, nos brindou, com materiais bem bacanas,
cada uma, com suas características marcantes.
A Videogame – Em seu primeiro
ano, era a minha preferida. Seu caráter didático, explicava direitinho, os
porquês daquele universo fascinante que acabara de chegar. A linguagem
acessível, se fazia compreender, até para jovens completamente leigos sobre o
assunto. Questões como compatibilidade entre sistemas; diferenças entre
máquinas de arcade e consoles caseiros (bem como, suas capacidades); novas
tecnologias (como a chegada do CD-ROM), eram presenças constantes em suas
páginas.
Outra coisa em que foi pioneira, foi separar as páginas por
sistemas e fazer “mapinhas” com as telas dos jogos, realizando, um detonado
completo. Sem falar na façanha, de se fazer aquilo tudo, em tempos “pré-Photoshop”.
A edição nº 2 –
Como
a revista não possui data em seu expediente, as únicas informações que tive acesso,
foram minhas próprias lembranças, a sessão de recordes dos leitores (cuja
fonte, consta como “Tec Toy – Fevereiro de 91”) e a matéria sobre o Neo Geo
(com a cotação do dólar naquele mês). Como trabalhei na área, posso supôr que,
se a revista saiu no mesmo mês de fevereiro, incluir informações básicas com
estas, são possíveis de serem inseridas em cima da hora, no conhecido “Dead
Line”. Então, dando uma margem de segurança mais elástica, “chuto” que tenha
chegado às bancas no início de março.

Aliás, acho curioso, como alguns editores não se
preocupavam em datar o material impresso. Talvez, não se deram conta, da
importância de preservar esses registros para as novas gerações. Imaginem, como
seria o mundo hoje, se os antigos não preservassem sua história. Pior ainda...
vai que, aconteça uma “hecatombe nuclear”, com a maior parte humanidade sendo dizimada
e a tecnologia se perca? Neste cenário catastrófico, a Internet não existirá e,
os registros físicos, terão mais chances de sobreviverem. Tá certo... sei que
peguei pesado mas, quis dar uma noção, da importância de sabermos a origem de
um texto produzido.
Voltando à esta edição em si...
Logo ao abrirmos, damos de cara, com um anúncio em página
dupla da loja Dimensão. Assim como outras empresas do setor, divulgava massivamente
nestas publicações. Sempre chamativas, chegava a “dar água na boca” ver que já
tinham os principais lançamentos, aqueles que estavam sendo avaliados nestas
mesmas revistas.
O primeiro seguimento, era dedicado à matérias diversas,
promoções e cartas do leitor. O destaque, vai para o recém lançado Neo Geo. Ele
havia sido citado na edição anterior mas, aqui, foi melhor detalhado. Ter jogos
de até 330 megas, quando achávamos 4 um absurdo de potência, foi de chocar. Mostrou-se
ainda, ter o recurso do Memory Card, que só se tornou popular, à partir da
geração 32 bits, com o Playstation.
Com certeza, foi um console à frente de seu tempo e, como
sabemos, isto tem um preço: “O único
fator que pode esfriar os ânimos de muita gente é o preço. Em fevereiro, um
console acompanhado de um cartucho, não saía por menos de 1.500 dólares”
(trecho original). Se “mil e quinhetas pilas” é caro pra cacete hoje,
imagina, em 1991? No meu caso, só vi um de perto, ano passado na Games
Collection Show (feira mensal, realizada no bairro do Jabaquara, em São
Paulo... tem texto aqui no blog).
Há alguns poucos anos, houve uma “explosão” com a
tecnologia 3D nos cinemas, muito alavancada, com o sucesso de Avatar do diretor
James Cameron. Essa tecnologia, também chegou aos lares com TVs super modernas
e seus óculos especiais. Muitos dos mais novos, talvez nem façam idéia mas, os
videogames, já contavam com aparato similar. Entitulada Terceira Dimensão, o
texto da página 10, explica como é a experiência de se usar tal periférico e as
diferenças entre os métodos adotados no Nintendo e no Master System. Embora, fosse
uma novidade interessante, a matéria pode ter desencorajado bastante gente à
fazer uso deste recurso: “Outro ponto que
ficou claro durante o teste é que, os óculos dos sistemas, acabam cansando a
vista dos jogadores (...)” (Trecho original). Parece que, trinta anos
depois, as coisas não mudaram muito... esses óculos, ainda cansam.

Também tivemos Os Minis, falando sobre as opções de
portáteis. Se, nos dias atuais, qualquer smartphone, oferece uma infinidade de
opções num único aparelho que cabe no bolso, no passado, as coisas eram mais
complicadas. Para cada atividade pretendida, era necessário, um aparelho
específico. Tinha os famosos Game Boy, Game Gear e aqueles “mini-games” da Tectoy
com tela LCD monocromáticas. Modelos similares, podiam ser encontrados aos
montes nos camelôs, vindos, nas muambas de quem ia no Paraguai fazer compras.
Duas curiosidades históricas. O rolo entre a Nintendo e a Sony
- quando se tentou acordo para a produção de uma unidade CD-Rom para o Super
NES – é conhecido por muita gente. Então... os boatos disto, começaram à
circular em 1991, como podemos ver na nota Jogos em Laser.
A outra, é sobre a cerco que a Tectoy fez em cima das
locadoras para não trabalharem com cartuchos “importados” (os “piratinhas” que
fizeram a alegria da molecada). Na página 13, há um comunicado da Dimensão,
dizendo, que passaria à adotar somente os cartuchos oficias daquela empresa.
Ainda fez um apelo às outras locadoras, para que fizessem o mesmo: “A Dimensão
está certa de poder contar com a colaboração de outras locadoras nesta fase de
preparação para um novo mercado (...)” (Trecho original).
Para fechar as edições, nas páginas finais, eram comentadas
questões técnicas. Neste número em específico, ensinaram como se ligava videogames
em video-cassetes, sendo possível, gravar seus jogos. Olhando pela ótica atual,
chega ser risível, tamanha atenção para algo que parece simples. Porém, era o
que havia de mais sofisticado em termos de equipamentos eletrônicos: “Aquela luta fantástica contra o chefão da
última fase, o recorde de pontos daquele jogo superdifícil ou mesmo aquela
estratégia para ser mostrada para seus amigos, pode ser gravada em fitas de
video-cassete (...)” (trecho original).
Com certeza, eram tempos muito mais inocentes.
Tá, Douglas...
e os jogos?
– Como evidenciado na capa, Mega Man 3, é o grande destaque da edição. Esse
jogaço da Capcom (para muitos, o melhor da linha clássica) ganhou duas páginas
de review, abrindo, a sessão Nintendo. O que dá para notar, vendo tudo “do
futuro”, é o caráter mais informal (ou experimental) na forma de escrever. Não
se mencionava aspectos técnicos dos jogos, pelo menos, não da forma como vemos
hoje. Havia uma cotação de 1 a 5 pontos em Dificuldade, Gráficos, Musicas/Efeitos
e Classificação; um resumo introdutório com informações básicas sobre a
personagem, inimigos; e o que fazer durante as fases: Shadow Man – Ele será vencido facilmente, se você usar a arma de Top
Man (Select – TO). Basta acertá-lo para passar desta fase (foto 4)” (trecho
original).
Outros games que receberam tratamento de destaque foram
Castlevania 3 – Dracula’s Curse; Teenage Mutant Ninja Turtles 2 – The Arcade
Game (Nintendo), Kenseiden e E-SWAT (Master System). Um detalhe a comentar... no
review em página dupla de E-SWAT, a última foto, nos entregou um spoiler do
final do game. Lembro de jogar e, me perguntar, onde estava aquela imagem.
Menos mal que, o encerramento, vai além daquilo.
Quanto ao Mega Drive, que havia sido lançado no Brasil há
pouco tempo, não recebeu tratamento maior por parte da revista. Foram apenas oito “micro reviews”, os de Alex Kidd in the Enchanted
Castle, Thunder Force II, Ghouls’ n Ghosts, Last Battle, Super Hang-On, Zoom,
Moonwalker e The Revenge of Shinobi. Estes, eram os títulos
disponíveis no Brasil até então, em um console, que ainda não tinha se
popularizado da forma como aconteceu posteriormente.
E o Atari, console que reinava na geração anterior,
não foi esquecido pela Videogame. Ainda tendo uma base enorme de fãs no Brasil,
ganhou uma página e meia de pequenos reviews. Entretanto, seguindo o curso
natural do mercado, esse sistema parou de ser abordado nas edições seguintes.
Continue: Yes
or No? – Futuramente,
pretendo escrever mais textos sobre outras revistas de meu acervo pessoal.
Assim, será como uma espécie de “Raio-X”, de como essas publicações evoluíram
ao longo dos anos que reinaram absolutas. As editoras se esforçaram bastante
para, nos trazer, tudo o mais “quentinho” possível, produzindo material de
qualidade, cada qual, à sua maneira.
No nosso mundo moderno, tão veloz, penso que seja difícil o
jovem entender certas situações que ocorriam no passado. Como explicar, algo,
que não pode ser mais experimentado? Deve ser surreal, imaginar, como é esperar
um mês inteiro para saber uma novidade. Mais ainda, que tal novidade, era para
nós brasileiros somente pois, os gringos, já se esbaldavam com elas. Ainda bem
que, esta defasagem, foi sendo atenuada com o passar do tempo e, chegamos a
ter, muitos lançamentos que acompanharam de perto o mercado internacional.
Hoje, isto é bem comum dada a globalização mas, nos idos anos 80 e 90, era algo
impensável.
Seja como for, estas publicações, tiveram papel fundamental
na formação de uma geração inteira de leitores. Não por acaso, por influência
delas, surgiram muitos profissionais em áreas relacionadas à games, assim como,
no mercado editorial e jornalístico como um todo (como este que vos escreve).
Sei que o texto ficou longo mas, achei por bem,
contextualizar aquele período para melhor compreensão. Espero, ter sido bem
sucedido.
Até mais!
