segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SEGA Game Gear: o poderoso Master System portátil


Saudações amigos!


Faz um tempão que não escrevo aqui no QG, parece até que faz um século ou coisa parecida...mas enfim, antes tarde do que nunca! Para quem não se lembra, meu nome é Adinan e há uns dois anos atrás eu estava escrevendo com frequência no blog, acabei dando uma sumida devido à correria insana da minha vida particular, mas um dia o bom filho à casa torna e hoje é o dia! :D

Aproveitando que recentemente adquiri um 3DS e estou viciadão nele, hoje quero escrever sobre o famigerado SEGA Game Gear, o saudoso Master System portátil! Numa época em que estávamos pirando com os minigames de camelô, portáteis eram o paraíso gamer, e sem dúvida o Game Gear era um deles, embora nunca tenha conseguido ser um rival à altura do lendário Game Boy da Nintendo.

Enfim, vamos conversar hoje sobre o Game Gear. Aperte o botão 1 do seu controle e me acompanhe no post de hoje! :)




Projeto Mercúrio

Quem diria que um portátil de tela esverdeada fosse fazer tanto sucesso? Após o crash de 1983 e a aparente morte dos videogames, eis que surge a Nintendo que aos poucos foi salvando, reestabelecendo e dominando o mercado de games. Como se não bastasse o Game & Watch de Gumpei Yokoi e mais tarde o fenômeno Famicom/NES, a Nintendo ainda lança o incrível Game Boy em 1989, um videogame portátil monocromático mas com som estéreo, bons jogos dedicados ao console com a ilustre presença de franquias consagradas como Mario, Castlevania e Megaman, e claro o killer app que faria o Game Boy dominar o mundo: Tetris, o quebra cabeça russo que viciava toda uma geração de gamers e que agora era exclusivo da Nintendo.

Percebendo a grande oportunidade e o promissor mercado de portáteis, a SEGA não quis ficar de fora, e assim como a Atari e a NEC/Hudson Soft, preparava sua resposta ao Game Boy, o poderoso SEGA Game Gear.

Pena que esse Game Gear não é meu...

Com o codinome Project Mercury durante seu desenvolvimento, o Game Gear era basicamente um portátil com um hardware muito semelhante ao nosso querido Master System, porém com a possibilidade de suportar 4096 cores ao invés das 64 suportadas pelo seu console pai. Essa foi uma estratégia interessante da SEGA para facilitar o port de jogos do Master para o Game Gear, garantindo uma boa biblioteca de jogos para o início da vida do portátil, além de demonstrar um console superior ao da concorrência.

Estas são as especificações técnicas do Game Gear de acordo com a Wikipédia:
  • Processador: Zilog Z80 de 8-bit rodando a 3.6 MHz;
  • Memória: 8 KB RAM;
  • Cores disponíveis: 4.096;
  • Resolução: 256 x 192;
  • Tela: aproximadamente 8 centímetros de comprimento, com iluminação interna;
  • Máximo de cores ao mesmo tempo: 512;
  • Tamanho dos sprites: 8 x 8;
  • Áudio: 4 Canais Mono; Som estéreo pela saída de fone de ouvido
  • Limite máximo de sprites na tela: 64;
Até TV o Game Gear tinha! :)

O console foi lançado em 6 de Outubro de 1990 no Japão e em 26 de Abril de 1991 nos Estados Unidos, tendo sobrevivido até 1996 no Japão e 1997 no restante do mundo, vendendo em torno de 11 milhões de cópias, de certa forma sendo um sucesso em comparação com os concorrentes Atari Lynx e o Turbo Express, mas ficando bem atrás do Game Boy que vendeu 10 vezes mais.

Game Gear does what Nintendon't

E aí, qual dos dois você escolhe?
Assim, em 1990, o Game Gear é lançado e já chega chutando bundas nos EUA com o mesmo marketing agressivo que a SEGA usou no Mega Drive, comparando seu portátil com o Game Boy na caruda e ofendendo a tudo e a todos relacionados ao rival. Vale destacar a propaganda onde um gordinho joga Game Boy e decide tacar um esquilo morto na própria cabeça para conseguir enxergar cores no Super Mario Land 2, e uma frase polêmica em outra propaganda onde a SEGA afirmava que "se você fosse daltônico ou tivesse um QI menor de 12, não teria importância qual portátil escolher", o que fez a Nintendo incentivar protestos contra a SEGA afirmando que ela estava desrespeitando os deficientes visuais. Tom Kalinske, presidente da SEGA, vai à público e cospe que a Nintendo deveria se preocupar mais em melhorar seus produtos ao invés de organizar atividades coercivas por baixo dos panos.



Mas nem só de propagandas apelativas viveu o Game Gear, houve também propagandas muito bacanas como a do nerd tentando jogar Mega Drive no avião, enquanto que um garotinho tira o Game Gear dele e se diverte com Sonic e demais jogos, ou então a propaganda brasileira da Tec Toy que mostrava o Game Gear divertindo em diversas situações, inclusive em um jantar chato de família onde um jovem afirmava para o espanto dos demais que o jantar estava muito divertido enquanto jogava Game Gear.



No geral, o Game Gear tentou alcançar o mesmo público do Mega Drive com a idéia de ser um portátil mais descolado e voltado para os "caras legais". Já no Japão o mais curioso era que as propagandas almejavam as mulheres japonesas, e claro não tinha nenhum ataque contra a concorrência. Aqui no Brasil a idéia de alcançar pessoas descoladas era similar a do marketing norte-americano, porém sem ataques absurdos à Nintendo.

Acertos e erros

Como puderam ver nas especificações técnicas, o Game Gear era muito poderoso e causava inveja entre os donos de Game Boy. Além disso, embora fosse mais caro que o principal concorrente, era mais barato que o Atari Lynx e o Turbo Express. Some a isso o formato mais confortável, lembrando vagamente um controle de Mega Drive, luz interna, periféricos diversos e claro uma boa biblioteca com os clássicos da SEGA, incluindo ports de Mega Drive e arcade, e temos aí um ótimo portátil. Mas o que foi que aconteceu para o Game Gear não conseguir derrotar a Nintendo?

Pra começar, esse hardware a frente do seu tempo teve um preço a se pagar. Como se não bastasse ser mais caro que o Game Boy, ele era um verdadeiro comedor de pilhas. Enquanto o Game Boy gastava 4 pilhas AA em 30 horas de uso, o Game Gear engolia 6 pilhas AA entre 3 a 5 horas de uso. É verdade que a SEGA lançou logo em seguida bateria recarregável e adaptador AC para o Game Gear, mas isso não muda o fato que o console não era tão portátil quanto seu rival no quesito durabilidade.

Além disso, embora conte com clássicos da SEGA, a sua biblioteca de jogos nem se compara com a vasta e diversificada biblioteca de jogos do Game Boy. Ao todo foram 300 jogos de Game Gear, contra 1000 jogos de Game Boy, e desses 1000 jogos temos não apenas clássicos da Nintendo, mas também franquias importantes das third parties e que ficaram de fora do Game Gear devido à política injusta de exclusividade da Nintendo.

Como se não bastasse isso, a SEGA cometeu o mesmo erro que a Sony comete hoje com o PSP e o PS Vita: os jogos são maravilhosos, mas muitos deles não foram pensados para jogatina portátil, sendo que muitos deles ficam bem melhores em consoles de mesa. Para exemplificar isso, pegue o Megaman do Game Gear e qualquer um dos Megamans do Game Boy. Enquanto que no monocromático o jogo teve design de fases e desafio pensado para jogatinas rápidas e de acordo com a tela do aparelho, a versão do Game Gear era terrível de se jogar pois eram fases longas e a resolução não deixava enxergar boa parte do que estava acontecendo, dificultando desnecessariamente o jogo.

No entanto, o Game Gear não era de todo uma péssima escolha. Superando esses pontos negativos, ainda temos uma bela biblioteca contendo jogos do Sonic, Columns, Psychic World, OutRun, Shinning Force, Ristar, Shinobi, Castle of Illusion, Space Harrier, Wonder Boy, entre outros clássicos da SEGA.

Algumas thirds também deram suporte, lançando Fatal Fury Special e Samurai Shodown, Mortal Kombat I e II, NBA Jam e até alguns jogos da série Megami Tensei, sem contar algumas adaptações de animes como Sailor Moon, Yu Yu Hakushou e Kishin Doji Zenki. Tinha até um advergame da Coca Cola no Japão, chamado de Coca Cola Kid, que apesar do marketing escancarado até que o joguinho era bem divertido


O Game Gear contou também com vários acessórios e periféricos, dentre os quais merecem destaque o Master Gear, um adaptador para rodar cartuchos de Master System no portátil e assim aumentando consideravelmente a biblioteca de jogos do console, e os sintonizadores de TV e rádio FM que fizeram relativo sucesso no Japão. Falando em Japão, o console chegou a ter por lá diversas versões coloridas, dentre elas um Game Gear vermelho especial da Coca Cola com o jogo do Coca Cola Kid.

Esse Coca Cola Kid vai ter sérios problemas gástricos no futuro :(
 O declínio

Enfim, o Game Gear ficava bem atrás do Game Boy mas não era de todo um fracasso, sendo uma boa opção de portátil apesar dos seus defeitos. Contudo, a SEGA se dedicava cada vez mais ao Mega Drive e seus diversos acessórios, o SEGA CD e o 32X, além de trabalhar fortemente no Saturn, e com isso o Game Gear foi meio que deixado de lado.

Haviam planos para um sucesso 16-bits em meados de 1995 mas tudo o que a SEGA fez foi lançar o SEGA Nomad, que era simplesmente um Mega Drive portátil, mas sem nenhum diferencial ao contrário do Game Gear que tinha algumas vantagens em relação ao Master System. Com problemas similares ao do Game Gear quanto a portabilidade e alto consumo de pilhas, o Nomad foi um fracasso que fez a SEGA largar mão de vez do mercado de portáteis, deixando toda a fatia para a Nintendo que continuava investindo no Game Boy, lançando agora a versão Pocket que era ainda mais portátil e consumia menos pilhas.

Assim em 1997 o Game Gear dava seu último suspiro com o jogo Sonic Blast, uma forma triste de morrer pois o jogo é um verdadeiro lixo tentando pegar carona na onda de sprites renderizados do Donkey Kong Country. Depois o portátil chegou a ter uma sobrevida no ano 2000 quando a Majesco relançou o console em edição limitada e corrigindo alguns problemas, mas removendo a compatibilidade com alguns adaptadores de Master System e os sintonizadores de TV.

Legado

Apesar de nunca ter sido um adversário à altura do Game Boy e seus diversos problemas, o Game Gear deixou uma excelente biblioteca de jogos. Prova disso é que a eShop do 3DS possui alguns desses clássicos disponíveis. A própria SEGA costuma relembrar alguns desses jogos nas suas coletâneas de Sonic e de clássicos da SEGA que ela lançou para os videogames da sexta geração.



Assim, se você não conhece muito o Game Gear, eu recomendo baixar um bom emulador, pode ser o Kega Fusion ou o Meka, e rodar alguns desses games. Recomendo fortemente os seguintes jogos:

  • Série Shinning Force: apenas um deles veio pro ocidente, o Sword of Hajya, o restante foi traduzido por fãs
  • Série Sonic the Hedgehog: Não tem segredo, além dos Sonics do Master com gráficos melhores, tem o Triple Trouble e os jogos de corrida Sonic Drift
  • Série Phantasy Star: Temos um RPG que se passa alguns anos depois do primeiro jogo, e um adventure bem interessante. Ambos ficaram só no Japão mas foram traduzidos por fãs
  • Tails Adventure: Um jogo estilo Metroidvania com o Tails, é bem estranho mas divertido. O jogo é bem mais lento já que o foco está em explorar e adquirir upgrades para o Tails poder acessar áreas antes inacessíveis, no melhor estilo Metroidvania
  • Wonderboy The Dragon's Trap: Essa versão além de ter sido bem adaptada para a tela do Game Gear, possui algumas melhoras gráficas, sendo a versão definitiva de Dragon's Trap
  • Tom & Jerry the Movie: Embora lembre a versão do Master, essa versão possui algumas diferenças significativas em relação ao jogo original. Aqui temos um modo história e o Jerry é bem mais astuto neste jogo
  • Super Columns: Uma boa pedida para qualquer portátil. Essa versão possui um modo história e mais músicas do que o jogo original
  • Psychic World: Acho que gosto mais desta versão do que a original do Master e do MSX. Além de ter sido bem adaptada a tela do Game Gear, o sprite é muito mais parecido com a protagonista, e as fases ficaram bem mais curtas porém mais divertidas
  • The GG Shinobi: Estes Shinobis são bem mais parecidos com o Super Shinobi do Mega Drive, e são considerados por muitos os melhores jogos do Game Gear
  • GP Rider: A versão do Master é uma bela porcaria, mas esta aqui é um excelente substituto para o Hang On, com animação fluída e excelente jogabilidade
  • GG Aleste: Não poderia faltar um bom Shmup, e felizmente o Game Gear tem bons representantes, sendo Aleste uma das boas opções do console
Faça um favor a si mesmo e vá jogar Game Gear! Se você é fã de Master System certamente vai amar esse portátil. Pode não ser melhor que o Game Boy mas nem por isso merece ser ignorado. ;)





E é isso meus amigos, testem o Game Gear e caso gostem e tenham um 3DS, porque não comprar alguns desses jogos para se divertir por aí? Ou então se tiver um Dingoo/Yinlips da vida, baixe e carregue com você esses jogos, são bem divertidos e servem para demonstrar um pouco da história da SEGA também.

Abraços e até o próximo post, que espero que não demore tanto quanto este aqui ;)

8 comentários:

  1. E ai Adinan beleza cara belo post viu curti pra caramba eu quase cheguei a comprar um Game Gear alguns anos atrás viu depois de ver uns videos no youtube sobre ele.Mas quando achei um ele tava com problema na tela e não dava pra ver direito a imagem do jogo fiquei meio decepcionado estava em bom estado o aparelho viu só a tela que não ajudava.
    Mas vendo esse post vou pegar pra jogar de novo alguns jogos pelo emulador que tenho no meu notebook continue com o ótimo trabalho cara e não desapareça certo.
    Falow abraço cara.

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    1. Fala Rock blz? Obrigado pelas palavras, fico feliz que tenha curtido o post e espero não sumir novamente! :)
      Agora, acabei esquecendo de incluir no post mas o problema do Game Gear é que com o tempo ou a tela vai ficando fraca ou o som vai ficando mais baixo, isso é por causa dos componentes que a SEGA escolheu, são muito baratos e com pouca vida útil. Sempre que for comprar um Game Gear, tem que ver esses detalhes antes de finalizar a compra. Dizem que os modelos que saíram em 2000, da Majesco, são melhores e mais resistentes.

      Valew, abraços!

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  2. Belo post ! Já tive esse console e gostava muito dele, muito melhor que o game boy, hoje em dia jogo em um emulador que tenho no meu nokia 820!!

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    1. Opa obrigado Unknown! Então hoje eu prefiro o Game Boy mas adoraria ter tido um Game Gear na época, um amigo meu tinha e rodava Psychic World nele, achava mto loco!
      Abraços :)

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  3. Quando eu via o GG, eu logo pensava em Collums, o rival do Tetris.
    Meu sonho de consumo era rodar os jogos do GG no Master, antes eu simplesmente esperava ser portado, quando as revistas anunciavam. Esperei Ristar, Megaman e Fatal Fury Special em vão.
    Eu vi muito spin-off de franquias do Master e do Mega, e ficava sonhando... Quero assim que puder, ter um notebook só pra usar o emulador. rss Ótimo post, Adinan, adorei!! Voltou com tudo!

    Abração

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    1. Opa valew Rodrigão! :D
      Pois é, acho que alguns desses jogos eles não portaram por causa da paleta de cores ou algo do gênero, porque de fato faria muito mais sentido a Tec Toy ter portado Ristar ou Mega Man, inclusive no Game Gear o Mega Man fica bem zoado de jogar por causa da resolução pequena e o design de fases ter sido feito tendo em mente uma tela de resolução maior, mas num port para Master esse jogo ficaria perfeito! É uma pena que a Tec Toy não tenha portado esse jogo porque seria épico com certeza!

      E assim que puder baixe o emulador pra jogar, tem muito jogo bom, inclusive um RPG e um adventure ambientados no universo de Phantasy Star, vale muito a pena conferir esses e outros clássicos do GG.

      Abraços :)

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  4. sonic blast não é tão ruim,é meu jogo favorito do sonic

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    1. Oi Thales! Foi mal cara, acho a jogabilidade dele não tão boa quanto os jogos anteriores e pra mim não funcionou o uso de sprites pré renderizados, mas lendo esse post agora vejo que poderia ter me expressado melhor ao invés de simplesmente escrever que o jogo é um lixo. Peço desculpas por isso e obrigado pelo comentário!

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