terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Master Review - Pit-Fighter (1991)








Olá, pessoal!
Aqui estou novamente, agora, para conversarmos sobre o port de Pit-Fighter para o Master System.

O quê falar sobre este game? De cara, digo que ele é bem polêmico pois, há os que amam e os que não querem ver nem pitado de ouro. Porém, ambas as visões, tem suas razões de ser.
Este game apareceu nos arcades em 1990 e causou bastante furor, inicialmente, por apresentar gráficos digitalizados de atores reais. Por conta disto, acabou fazendo o caminho comum de todo game de sucesso, foi portado para tudo quanto foi plataforma de videogame. Mas, quem não viveu aquela época, pode estar se perguntando, “se o game fez sucesso, porque há os que detestam?”.
Pois bem... mesmo em sua versão de flíper, está à anos luz de ser um jogo realmente bom. Praticamente, as imagens digitalizadas, são o único trunfo de Pit-Fighter. Uma vez colocada a ficha na máquina, era um desastre só. As animações são ruins, com poucos frames; os controles são duros e desajeitados; os “zooms frenéticos”, mais atrapalhavam do que ajudavam; a física era mal programada... enfim, continha mais defeitos do que virtudes de fato.
Se o game original já era ruim, o quê se podia esperar das conversões para os consoles caseiros? Não muita coisa, lógico. A melhor foi a de Mega Drive, onde foi feita uma melhora na animação, no gameplay, balanceamento da dificuldade e, o melhor, não tem Zoom (o console não processaria tal efeito... mas, não fez falta alguma).

A tela título de Pit-Fighter do Master System. Ultimate Challenger? Sei...

Enquanto isto, no Master System – Produzida pela Domark e lançada em 1991 na Europa (em 1993 no Brasil), pode ser considerado uma grata surpresa. Numa época em que, este console, já estava na prorrogação de sua vida útil no mercado, um lançamento assim, foi de se elogiar.
Por não curtir, nem a versão original, pouco me interessei em conhecer à fundo o jogo naquela oportunidade. Com o cartucho vindo parar na minha mão, não custava dar uma conferida e, a impressão que ficou, não foi boa, nem ruim. Pensei apenas que, os programadores, fizeram o possível para um 8 bits... e foi bem por aí mesmo. Mais recentemente, decidi revisitá-lo... e aqui estou.
Gráficos, Sons e Gameplay – Costumo dizer que, para se avaliar um game, temos que levar em conta à sua plataforma e aspectos da época em que ele foi produzido. Jogos como Pit-Fighter, eram comuns em meados dos anos 80 e, a tecnologia, não ajudava muito. Neste cenário pouco favorável, quando se pensava em “mirabolâncias técnicas”, os programadores, tinham que “tirar leite de pedra”.
No caso dos arcades – cujas máquinas, não tinham configuração fechada - um jogo ficar ruim, é mais condenável do que um port para consoles que, naturalmente, não tinham como rivalizar em capacidade de processamento. Sendo assim, é de se louvar o trampo que a Domark fez. Os gráficos ficaram legais e, toda a atmosfera underground das lutas clandestinas, foram preservados. Nota-se, perfeitamente, que lutamos em um bar “pé sujo”, armazém, estacionamento, ou mesmo, nas fundações de alguma construção velha. Ainda quanto à parte gráfica, os artistas ainda tentaram – o máximo possível -  retratar a digitalização dos atores, como visto nas plataformas mais potentes. Houve um trabalho bacana quanto à isto. 

Os gráficos ficaram bacanas. A atmosfera de submundo das lutas clandestinas, foi bem retratada.
Quantos aos sons, a coisa ficou feia. Na tela título, toca-se uma música (até bem feita) mas, basta começar a pancadaria, para ouvirmos os “Pipipis/Pupupus” dos efeitos sonoros, tudo isto, sem música alguma. Realmente, isto não anima muito o jogador. Mas, acredite, isto não é o pior ainda.
O gameplay é um problema sério. Os comandos são bem responsivos mas, os programadores, erraram no cálculo das “hit-boxes” (caixas de colisão) dos sprites. Mesmo que os lutadores estejam distantes um do outro, acima e abaixo na tela, eles podem ser acertar (principalmente, com as voadoras). Isto chega à frustrar a busca por estratégias de combate pois, “golpes fantasmas”, te acertam o tempo todo.
Como se não bastasse isto, você tem uma única barra de energia para encarar todos os 11 oponentes presentes nesta “rinha”. O cara que conseguir concluir este “Pit de Master” sem usar os três Continues disponíveis, merece ser elevado ao Panteão dos Deuses do Videogame.
Durante as lutas, você pode se movimentar livremente pela arena, não apenas lateralmente, como em Street Fighter. No chão, podem ser encontradas armas (facas ou Shurikens), caixotes e barris, que podem ser atirados contra o inimigo. Dentro dos caixotes, ainda é possível, achar as Power Pills (Pílulas de Força), que aumentam o poder de ataque de seu lutador.

No primeiro quadro, estão as indicações de tela, correspondentes ao seu lutador. No segundo, são os itens encontrados nas arenas: 1) Faca; 2) Power Pills; 3) Shuriken; 4) Caixote; 5) Barril, todos, podem ser atirados contra seu oponente (como no número 6). Para isto, aproxime-se de cada um deles e aperte Para Baixo + Botão 1 (para arremessar, use o Botão 1 novamente).
Conheça os Lutadores – Como em todo game de pancadaria, este também, traz seu elenco de artistas marciais. Todos, são especialistas em uma determinada modalidade, com os seus ataques característicos. Eles são:
 

Kato: Sua especialidade são os golpes rápidos. Mas aqui, na versão de Master, isto não foi bem representado. Tal falha, o tornou um personagem complicado de se controlar. Uma pena.
Ty: Este Kickboxer, ficou quase tão bom, quanto nas versões mais parrudas. É possível se jogar, quase, da mesma forma com ele. Entretanto, seu especial perdeu muito de sua utilidade onde, os acertos dos chutes giratórios, ficaram imprecisos.
Buzz: É o brutamontes do trio de heróis. Seus golpes, são os de maior alcance e, ao meu ver, a melhor escolha do jogo. Seu Especial, que arremessa o oponente no chão, é devastador.
Os comandos, foram muito bem adaptados para o controles do Master System. Todos movimentos originais, foram transpostos aqui. Confiram:


Vale ressaltar que, como o gameplay deste jogo é muito equivocado, os três lutadores se equivalem. A escolha por cada um deles, vai acabar sendo, mera opção pessoal. Dica: Pare evitar parte do massacre (acredite, você vai apanhar muito), use táticas “Bater e Correr”, que consiste, em dar um ou dois ataques e se afastar do oponente. Vai demorar um pouco para derrotá-lo mas, em compensação, seu life não acabará em “dois tempos”. Também, não deixe de espancar seu inimigo quando ele estiver no chão... além de dar mais dano, lhe renderá mais dinheiro/pontos no fim de cada luta. As armas, também fazem um belo trabalho em machucar o "pobre coitado"... não deixe de usá-las.
A Galera do Mal – O enredo de Pit-Fighter, é tão bom, quanto as histórias de filmes de artes marciais que víamos naqueles tempos. Ou seja, nada originais. Aqui, Buzz, Kato e Ty adentram no circuito clandestino de lutas para faturar uma grana alta. Entretanto, há uma turma barra-pesada afim da mesma coisa e, não medirão esforços, para quebrar a sua cara neste embalo.

Pit-Fighter é o Mundo Cão na sua Televisão. A platéia é tão "calorosa", que te desce a porrada também, basta chegar perto dela. Também há os Grudge Matchs, disputas contra o mesmo lutador seu, mas controlado pela CPU. Quanto melhor o desempenho, mais grana você ganhará, no chamado “Brutality Bonus”.
Outro mérito da Domark foi que, todas as 11 lutas do original, aparecem nesta “versão mini”. Conheça os seus oponentes:

É “pancadaria que não acaba mais”, não? Então, o sujeito que conseguir sair vivo depois disto tudo, pode merecer os parabéns do próprio Chuck Norris. Os programadores foram bem sacanas e, o suador, será grande.
Considerações Finais – Levando em conta que, o próprio jogo de origem, possui qualidade bem questionável, este port para Master System, foi um trabalho hercúleo. Se os programadores da Domark, não tivessem escorregado miseravelmente na detecção de hits dos sprites, este Pit Fighter, seria uma das melhores opções de games de luta para o 8 bits mais amado do Brasil.
Ainda assim, acho que vale a pena dar uma jogadinha, nem que seja, para conhecer apenas. No processo, chame um amigo para participar, pois o game tem opção para dois jogadores.
Até mais!  

10 comentários:

  1. Fantástica a matéria, Douglas!!
    Pit Fighter realmente nunca foi um game impecável, mas a versão Master até que enriqueceu o acervo 8-bits. Sua matéria está impecável nos detalhes de quem quer ficar expert no jogo, eu particularmente elogio as cut-scenes que ficaram boas.
    Não é o game preferido do meu fim-de-semana, mas consigo me divertir um pouco! Agora o QG vai esquentar com a onda Fighting Game, vamos pros próximos!
    Novamente, ótima matéria! Abraços!

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    1. Saudações, Rodrigão! Valeu pelas palavras.
      Arrisco dizer que, este "Pit de Master", nunca recebeu este tratamento, no que se refere, à reviews/análises. Tudo que vi dele, só "falou-se por alto". Mas, o motivo disto, é um tanto óbvio.
      Então... de "porrada", manjo um pouquinho (Hehehe!!!) e, para escrever sobre, gosto de jogar bastante, para extrair o máximo possível. Infelizmente (ou não), Pit-Fighter é tão raso, que dá para pegar o jeito dele rapidinho. De mais a mais, é descobrir as táticas... que também, não exigiu muita coisa. Mas, o jogo é tão irregular, que não ajudou muito no processo. Rss!!!
      Abraço.

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  2. Esse lance da colisão é um problema mesmo. Jogos de luta em 8Bits são horrorosos,e quando falham na colisão desta forma deve ficar impraticável jogar. O Mega Drive possui a versão mais respeitável, lembro bem que o pessoal na época ficava entusiasmada com imagens digitais de verdade, mas poucos curtiam o game por completo. Mesmo assim, é bobagem falar que o game é ruim sem contextualizar esse fator que o original do arcade também não era uma beleza, e como todo port geralmente acarreta perdas, a versão do Mega ficou muito competente. O Master System fez um excelente trabalho, pelo menos visualmente falando.

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    1. Olá, Ulisses!
      Tudo bem?
      Concordo plenamente contigo... foi a síntese perfeita do que penso e, no que, acabei escrevendo em meu texto.
      Abraço!

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  3. Opa bom dia. Amigão faz uma matéria com os jogos de luta do master lancados na korea. Como o fantástico jang pung 3. Obrigado e esse é um ótimo blog.

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    1. Excelente sugestão Marcos! Aliás a cena coreana de jogos pro Master é um caso que vale a pena estudar, vamos ver o que podemos fazer. Abraços e obrigado pela visita ao nosso blog!

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    2. Salve, Marcos! Tudo certinho?
      Estou ciente destes games koreanos de luta. Os dois primeiros Jang Pungs, pode-se dizer, que são hacks do Street Fighter, até os personagens são os mesmos. Agora, Jang Pung 3, me surpreendeu de tal forma que fui atrás da rom mas, não consegui fazer rodar em emulador algum... pelo menos, com a máquina que tenho aqui em casa. Caso eu consiga, está na lista de games à "destrinchar", com toda a certeza.
      Abraço e até mais!

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    3. dá pra emular jang pung 3 no MEKA,eu jogava ele no dingoo

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  4. Excelente post Douglas, tenho visto sua evolução com o blog e cada vez os seus posts ficam ainda melhores, muito bom!

    Sobre o jogo, eu achava bacana a versão do Mega e a do SNES consegue ser pior que a do Master, é lamentável. Essa do Master é uma pena o problema de colisão mas acho que é a versão que menos envelheceu graficamente, gosto bastante da arte que a Domark adotou neste jogo.

    Abraços!

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    1. Hail, Adinan! Como vão as coisas?
      De fato, a colisão de sprites mal feita, acabou com o jogo, em minha opinião. Um game, pode ser bonito da forma que for mas, se não tiver gameplay descente, ferra tudo. Neste caso do Pit Fighter, foi uma pena pois, daria para sair coisa melhor dali.
      Até mais!

      P.S.: Obrigado pelos elogios.
      "Tâmo junto", meu amigo!

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