terça-feira, 27 de abril de 2010

Master Review - SpellCaster (1989)


Poucos tem conhecimento, mas este é um dos maiores e melhores RPGs do Master System, quase (eu disse quase) tão bom quanto Phantasy Star. Estilos diferentes, que isso fique bem claro antes que alguém queira me cortar o pescoço.
Em SpellCaster você vai à luta igual à um jogo de plataforma normal, diferente de PS, mas também interage com outros personagens no melhor estilo RPG. E essa interação é fundamental: você conversa com outras pessoas, visita locais, analisa objetos, adquire itens e os usa, tudo isso para descobrir pistas e desenrolar a trama.
Tive a mega sorte de conhecer o jogo porque um amigo meu tinha o cartucho. Na locadora que eu frequentava na época nem sequer compraram. Isso deve-se ao fato da Tec Toy não ter investido tanto quanto fez com PS (que teve divulgação e propaganda, fora a versão traduzida) para nós, pobres brasileiros. Mas como tals, não devemos desistir nunca, por isso trago a vocês o review desse jogo que é considerado uma raridade no universo do "Sistema Mestre".

Spell o quê?
Você é Kane, um SpellCaster (que significa Lança-feitiços ou Conjurador) e foi convocado por Dairak, o sábio líder do Templo Superior para dar fim à guerra entre facções dos "Senhores da Guerra". Para isso, você deve explorar lugares e derrotar vários inimigos como fantasmas, ninjas e animais selvagens.

Dairaki (o sábio) em seu Templo.

Como todo bom RPG, há também aldeias para visitar, pessoas para conversar e pistas para investigar, tudo para descobrir quem profanou o templo de sua cidade natal e matou seus guardiões. Diferentemente da maioria dos jogos antigos, a morte não leva a Game Over ou mesmo a perda de dinheiro ou pontos de experiência. Em vez disso, o jogador pode ser ressucitado, desde que use um password, adquirido no jogo.

Um Guerreiro-mago ou um Mago-guerreiro?
Kane é mais do que um herói dotado de força e coragem, é um guerreiro conhecedor de magia: aos 13 anos ingressou para o Templo Superior, onde as antigas artes de combate lhe foram ensinadas.

Kane: guerreiro e mago.

Após muitos anos de treino ele aprendeu mais poderes do que jamais sonhou, como voar, conjurar raios e lançar bolas de fogo. Agora, como um guerreio místico, protege inocentes e continua sua busca por experiências para se tornar um mago completo. Tudo ia bem até que os ataques terroristas começaram.

Que um raio caia sobre a minha cabeça...

Os primeiros templos a serem destruídos foram os menores, localizados no alto das montanhas. Os moradores das cidades da montanha contaram que os templos foram atacados por pessoas más e criaturas saídas de um pesadelo que os atingiram como um raio e, em seguida, desapareceram. 

Então Daikak, o sábio, enviou grupos de guerreiros até os Templos para um reconhecimento, mas eles nunca mais voltaram. Ainda assim, ele foi capaz de entender um pouco a verdadeira natureza do problema: importantes eventos estavam acontecendo que iriam mudar o destino do mundo! Deuses e demônios estavam sendo invocados, enquanto relíquias de poder e magia estavam sendo desenterradas.

Que a força esteja com você!

Se Kane vivesse em outra galáxia, numa muito, muito distante, com certeza ele seria considerado um Jedi. A piadinha é sem graça eu admito, mas é perfeita para explicar como funcionam seus poderes. O que Kane faz, nada mais é do que controlar a sua energia "Ki" (não sabe o que é? dá uma olhadinha no Wikipedia) através de treino e muita concentração e redirecioná-la, como os Jedis fazem.


Conheça Anakin Kane Walker. Calma essa imagem não existe no jogo!

Os feitiços que Kane pode lançar durante o jogo são:

HAKUJI - Canaliza a sua energia Ki em um feixe de luz destruidora.
INDRA - Invoca o Deus do Trovão para lançar raios em seus inimigos.
FUDO - Lança uma grande bola de fogo.
KANNON - Envia os mortos-vivos de volta ao submundo. Mas não é eficaz contra todos os espíritos malignos.
HATTEN - Invoca o Deus dos Ventos para enviar um tornado ou vento forte contra seus inimigos.
MARS - Invoca o Deus da Guerra para restaurar sua força.
MAKIRI - Te dá o poder de voar!
NOBOTA - Cria um escudo impenetrável para todos os tiros do inimigo.
PASSWORD - Cria uma senha para que possa retornar a esse ponto mais tarde.

Esferas pra que te quero!
Alguns dos inimigos deixarão cair esferas: a azul aumenta a sua força vital e a laranja aumenta sua energia. Mas se liga, você morre quando sua força acaba e não a energia, que é para os feitiços, compreendeu?


A energia diminui cada vez que você lança um feitiço, e quando é zerada você fica impossibilitado de usa-los. A única magia que não acaba nunca é uma bola de plasma azul (tipo um Hadouken) que você lança desde o começo. Você pode concentrar ela segurando o botão 1 que ela não consome energia. Não entendeu nada? Se você começar a jogar pega rapidinho, não se preocupe.


Luz, joystick, ação!
Você começa sob orientação de Dairak, vocês conversam um pouco e logo você parte em sua jornada. Durante um tempo você não parece estar num jogo de RPG, tirando a conversa inicial o que se segue são ninjas, arqueiros e animais selvagens (estranhas criaturas, na verdade) e você tem que sentar a mão neles, ou melhor, mandar feitiço. Mas ao chegar no primeiro templo você encontra um sobrevivente da carnificina e uma primeira peça do quebra-cabeça se revela. Daí em diante sim, o jogo mescla Ação e RPG. Agora você deve achar pistas para descobrir que caminhos deve seguir.


Você pode (e deve) invocar magias durante o jogo. Para tanto, basta apertar o "pause" e então selecionar um feitiço da lista. Depois para acioná-los durante a ação, aperte e segure (um segundo) o botão 1 e pressione o direcional para baixo.


No decorrer do jogo Kane vai se equipando, seja com armas de ataque, seja com armas defensivas. Até o final da saga ele está mais forte, poderoso e preparado. Se tratando de um RPG, não podia ser diferente né?


O jogo tem um quê de misterioso e tudo o que se segue é uma novidade empolgante. Os chefes são estilosos e as fases são bem diversificadas. Tudo para o jogador não ficar entediado, o que pode vir acontecer em um RPG, por melhor que seja.


Kujaku Ou (Ou o quê?)
SpellCaster na verdade é um jogo hackeado. Sim, mas um hack original feito pela SEGA da versão japonesa, que se chama "Kujaku Ou". É um anime/manga famoso por lá e no jogo o herói veste um kimono (roupa tradicional japonesa), enquanto que em SpellCaster ele veste uma roupa mais moderna. Fora isso na capa do jogo Hukaju Ou o personagem principal é visto junto com uma garota nua. O anime tem dessas na história, saca só:

Scan do Forum Outer Space, matéria do Mestre Ryu Kanzuki.

SpellCaster 2
Sim, até existe, mas não para Master System. Lançado para o Mega Drive no mesmo ano de 1989, a continuação sofreu uma mudança no nome do jogo, agora SpellCaster virou Mystic Defender, e aqui em terras tupiniquins foi lançado como Mystic Defense. Por que? Sei lá, coisas da Tec Toy. Ah, Kane também sofreu mudanças e agora é Joe Yamato. Porém no Japão o jogo foi uma continuação correta da saga: Kujyaku Ou 2 - Gen-Ei Jyou (Kujyaku Ou 2 - O Castelo da Ilusão).

Quer saber mais sobre o jogo do Mega Drive? Dá uma olhada no review do Mestre Ryu Kanzuki no Outer Space.

Avaliação final.
SpellCaster é excelente como ação e animal como RPG. A jogabilidade é muito boa e a história inteligente. Os gráficos são caprichados, assim como o level design que é bem trabalhado a cada ambiente. A música é envolvente e os efeitos sonoros adequados. Conclusão: SpellCaster é fantástico e extremamente viciante.

O review acaba aqui, mas deixo registrado que brevemente farei um detonado deste game. Vai demorar um pouco, pois o jogo é extenso e quero falar dele passo a passo, mas é tão bom que vale a pena!

16 comentários:

  1. Misária e a Córdia!
    Eu sou muito analfabeto de MasterSystem. Só conhecia a versão do Mega Drive. Parece que a do 8bits é melhor. Já está na minha lista para antes da morte. Adorei o gif da tempestade.

    Excelente Texto! Arrasou!

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  2. Blz Leo, depois de ler me deu água na boca pra voltar para mais uma "partidinha" de alguns dias de SpellCaster.

    Como nos falamos antes, meus favoritos do Master System, juntamente com Lord Of The Sword, é SpellCaster. Ahhh... como a SEGA sabia fazer jogos underground nessa época...

    Olha, já fiz o tema principal de Lord Of The Sword (estarei postando no Cosmic Effect muito em breve) e - fica aí a promessa - farei uma versão do tema que toca nos momentos RPG de SpellCaster. Tá feita a promessa! (Já estou devendo este tema a mim mesmo faz muitos anos :-)

    Parabéns pelo review, eu estava ansiosamente esperando!

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  3. Legal! Olha lá hein, vou cobrar essa tua promessa, rsrs

    Valeu!
    Abração!

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  4. Nunca joguei este game com a devida dedicação... vou ver se faço isso futuramente. Agora não posso deixar de comentar algo: Kane consegue soltar mais "hadoukens" do que o Ken e o Ryu juntos... hehehehehe...

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  5. É verdade, o cara praticamente espirra hadoukens... hahaha

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  6. Cara, tinha um emulador para PSX com vários jogos de NES e Master System, achei esse jogo e joguei muito , mas nunca passava da segunda fase! E parabéns pelos reviews, é demais esse seu blog!

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  7. Também conheci esse jogo através desse emulador de PS1 que o Felipao falou.

    Como eu sou um zero à esquerda em jogos da Sega não imaginava que houvesse uma versão desse jogo para Mega Drive, mas a versão original do Master é fodástica e merece figurar na lista de jogos obrigatórios do console de tão bom que é =D

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  8. Sem dúvida Oráculo, essa versão merece estar entre os melhor jogos do console.

    Valeu!!

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  9. Talvez vc se interesse por esse link! Nesse canal do Youtube o cara gravou alguns detonados de jogos da Sega e Spellcaster é um deles
    [http://www.youtube.com/profile?user=talbot1939#g/u]
    [endereço entre cholchetes]

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  10. "Animal né? Se na tivessem lançado um comercial por aqui você ia correr jogar, certeza!"
    Com esse comercial japonês horroroso (e que comercial do Japão não é medonho?) com certeza eu teria passado bem longe desse jogo.

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  11. @MarCel
    Boa Marcel, valeu!!!

    @Anônimo
    Ô loco amiguinho, comercial antigo, bem feito pra época. Se eu visse quando moleque ia ficar doido! =D

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Mais um que só conheci quando o Master "expirou"...
    A Sega americana vivia adaptando games de animes e mangás com medo de não vender, igual Black Belt que era o Hokuto no Ken. No Brasil nos 90, na época que fervia Cavaleiros do Zodíaco isso foi um erro, pois muita gente mesmo sem conhecer na TV, se jogou atrás de games como Dragon Ball e Yuyu Hakusho pra 16 bit.
    É mais um que vai pra minha coleção.

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    1. Ainda bem que não mudaram Zillion que era o meu preferido e teve sua série aqui, mas concordo contigo a Sega fez uma cagada adaptando games de anime ao inves de lança-los aqui.
      Abração!

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