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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Master Review - James Pond 2: Codename Robocod (1991)

Fala pessoal, tudo bom? Como prometido, um Master Review para celebrarmos este natal de 2010. Receberam muitos games do bom velhinho? =)

Eu pelo menos não posso reclamar deste natal, afinal entre os presentes ganhei Donkey Kong Country Returns e um volante com pedal para PS2 (detalhe: esse último ganhei da minha namorada, e considerando que geralmente as palavras "namorada" e "videogame" são conectadas com a palavra "odeia", só posso dizer que estou muito feliz ^^), e também uma ótima cadeira rotatória, onde estou bem confortável escrevendo esse review.

Muitos de vocês jogadores retrô devem se lembrar de James Pond. Esse peixe espião nasceu nos computadores Amiga e foi um dos diversos personagens que apareceram com a febre dos animais com atitude, gerada após o sucesso de Sonic the Hedgehog.
Mas assim como Sparkster, James Pond não tenta copiar a personalidade do Sonic. Pond é apenas um espião e para ele "Missão dada é missão cumprida, parceiro". Seu primeiro jogo era um joguinho de ação interessante mas bem mediano. Contudo, Pond conseguiu uma sequência, sobre a qual falarei hoje.

O jogo
  • Desenvolvedor: Tiertex
  • Outras plataformas: Amiga, Amiga CD32, Atari ST, Commodore 64, DOS, Game Boy, Game Boy Advance, Game Gear, Genesis, Nintendo DS, PlayStation, PlayStation 2, SEGA Master System, SNES
  • Data de lançamento: 1991
  • Gênero: Action/Sidescrolling Platform Game
James Pond conseguiu derrotar o Dr. Maybe no primeiro game, mas este decide voltar com um plano ainda maior: implantar bombas em todos os brinquedos do mundo. Para isso, decide tomar para si a fábrica de brinquedos do Papai Noel, tornando seus gnomos ajudantes em escravos. Assim James Pond é recrutado novamente para frustras os novos planos do Dr. Maybe. Para isso, a sua organização secreta , F.I.5.H., lhe fornece um traje robótico, o Robocod, com o qual Pond poderá alcançar lugares mais altos e se proteger dos perigos que o aguardam nessa nova aventura. É uma história bem simples e bobinha, mas é o que basta para incluir o clima natalino e atrair a garotada. Fica clara também a homenagem ao filme "Robocop". Além do traje, a música tema do jogo é um remix do tema original do famoso filme dos anos 80.

Ao começar o jogo, podemos ver a enorme fábrica de brinquedos do Noel, sendo que esta parte funciona como um hub onde cada porta leva a uma das 50 fases do jogo. Pelo que eu andei jogando, as portas estão trancadas e vão se abrindo assim que um estágio é concluído. É bastante linear, mas é interessante poder explorar a fábrica pelo lado de fora também.

Os estágios são bem surreais: o cenário ao fundo é abstrato, e as plataformas e pisos consistem em brinquedos e doces, entre outras coisas para deixar o clima bem natalino. Os inimigos variam entre passáros feitos com cartas de baralhos, luvas e robôs, carros de brinquedo assassinos, entre outras bizarrices.
Os gráficos são muito bons e ficam devendo muito pouco em relação às versões do Amiga e dos consoles mais poderosos. Minha única reclamação é que o cenário de fundo é o mesmo em todos os estágios, e é bem monótono quando comparado aos cenários abstratos, psicodélicos e divertidos das outras versões.

No quesito sonoro o jogo se mantém no clima natalino, com músicas bem leves e com direito até ao Jingle Bells. Não é nada muito empolgante, mas não atrapalha e dá até um certo charme ao jogo. A músiquinha tema remix de Robocop é bem legal, e fica na cabeça por um bom tempo. Os efeitos sonoros são bons, embora não tão variados.

Agora, quanto ao gameplay, o jogo não inova muito, mas é divertido e cumpre o papel de ser um ótimo game de plataforma. Os controles são muito simples, embora eu não tenha gostado do botão 1 ser o botão de pulo. E no melhor estilo Mario, Pond mata seus inimigos pulando em cima deles, sendo que boa parte dos inimigos exigem mais que um pulo para serem derrotados. Já o botão 2 aciona a habilidade de esticar o corpo de Pond, para que este alcance lugares mais altos. Ao atingir o teto, Pond se agarra nele com as mãos e pode atravessar longos trechos enquanto se segura no teto. Essa habilidade é bem explorada no level design, que aliás é bem bacana e sabe bem como desafiar o jogador, embora seja frustrante em algumas partes. O jogo não é impossível, mas possui trechos onde um erro no pulo faz com que você tenha que repetir boa parte do estágio, o que pode resultar em controles sendo arremessados na parede.

Além disso, o jogo possui áreas secretas, muitos itens coletáveis e power-ups muito legais (os quais são adquiridos em caixas que devem ser acertadas por baixo, no mesmo estilo Mario Bros), como as asas que garantem a habilidade de vôo, e veículos como o carrinho de brinquedo. E a cada dois estágios, Pond deve enfrentar um chefe, que na maioria das vezes consistem em brinquedos gigantes.

O mais curioso é que este jogo possui versões para o Playstation 2, Gameboy Advance e Nintendo DS. Essas versões são remakes do jogo, com level design diferente e o novo objetivo de procurar os ajudantes do Papai Noel durante os estágios para habilitar a saída. Joguei a versão do Nintendo DS e gostei muito, embora a maioria considere essas versões as piores, criticando o novo level design.

Conclusão

James Pond 2: Codename Robocod não é um jogo revolucionário no gênero de games de plataforma, mas sabe ser um jogo divertido, com personagens carismáticos e bem desenhados, e desafio na medida certa, embora não esteja totalmente livre de falhas. Mas no geral é um ótimo jogo, um excelente port do Amiga para o Master e um dos poucos jogos com temática natalina. Enfim, é um jogo recomendado para quem curte jogos de plataforma.





E é isso, pessoal. Com este review, vou entrar em um breve recesso do QG Master, mas em Janeiro devo voltar disposto a continuar os reviews dos jogos do Wonder Boy, além é claro de novas idéias para contribuir com o nosso blog.

Abraços, e um ótimo 2011 recheado de Master System e retrogaming!
E até o próximo post, é claro! =)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O que um retrogamer pediria ao Papai Noel?

Saudações, retrogamers! =)

Estamos quase na véspera do natal. Em breve nos reuniremos às nossas famílias e entes queridos para celebrar, comer até o estômago pedir arrego, e para ganhar presentes é claro!

Falando nisso, vocês já acreditaram no Papai Noel? Eu já, e acreditei fervorosamente. Tanto que meu Master System foi pedido por meio de cartinha e tudo. Eu estava crente que meu Master System foi dado pelo bom velhinho, numa parceria firmada entre a fábrica de brinquedos do pólo norte e a Tec Toy (mais detalhes sobre essa história aqui).

Mas se o Papai Noel existisse, o que você retrogamer pediria para encontrar debaixo de sua árvore de natal? No meu caso, tenho a seguinte lista:

Master System com entrada para cartucho

Muitos devem se lembrar de uma pequena brincadeira que o pessoal da Game Sênior fez nesse ano envolvendo o Master System (O Gagá comentou sobre isso aqui). Como todos sabem, os novos modelos de Master lançados pela Tectoy não possuem entrada para cartucho, estando limitados apenas a biblioteca de jogos na memória do console.

Mas porque remover a entrada para cartuchos? Um colecionador de Master System poderia muito bem comprar um novo console, com cabo de áudio e vídeo, só para curtir os jogos da sua coleção. Mas ao invés disso, a Tectoy prefere nos limitar aos games na memória, que apesar de ter bons jogos como Alex Kidd, Sonic e Dragon Crystal, tem também Resta 1 e os 12 trabalhos de jongo (?), e com isso os mongos da Tectoy nos impedem de curtir Outrun, Wonder Boy, Psycho Fox, entre outros clássicos.

Assim, pediria ao velho Noel um Master System com entrada para cartucho, para reviver os bons tempos de jogos movidos a energia eólica (assoprando o cartucho rsrs) e para poder curtir todos os clássicos do console.

Quero cartuchos também

Ah sim, cartuchos não podem faltar! Então para poder curtir o meu novo Master System, pediria os seguintes games:

OutRun


Taí um dos meus jogos de corrida prediletos. OutRun era um jogo bem casual e viciante, onde se tem apenas uma ferrari, uma mina no banco do passageiro, e tempo curto para percorrer um trajeto que pode levá-lo à 5 finais diferentes. Além disso, temos a disposição as lendárias músicas "Passing Breeze", "Splash Wave" e a minha predileta "Magical Sound Shower". O que mais posso pedir?

Phantasy Star


O lendário RPG que na minha opinião derrota facilmente os jogos concorrentes: Dragon Quest e Final Fantasy. Personagens carismáticos e complexos, história envolvente e intrigante, protagonista feminina, 3 mundos diferentes para explorar, veículos e até um gato voador, desafio garantido e jogabilidade no melhor estilo Ultima, mesclando dungeons pseudo-3D em primeira pessoa (adoro esse tipo de RPG) e visão top-down nas cidades e no World Map, gráficos maravilhosos, trilha sonora épica; tudo isso em um cartucho obrigatório para qualquer fã de RPG e dono de um Master System.

Wonder Boy in Monster Land


De todos os jogos da série Monster World, este é o meu predileto, por ser um jogo bem casual e mesmo assim fornecer uma experiência similar a de um RPG. Além de porções de plataforma, o jogo possui lojas para compra de equipamentos, e até mesmo uma side-quest, e tudo isso em 12 estágios estilo arcade. Nada como um joguinho como este quando se está com tempo curto.

Nem só de Master System vive o homem

Bom, vou cometer uma heresia e sair um pouco do contexto do blog. Mas ainda assim me manter no território da SEGA.

Como alguns devem saber, o Papai Noel chegou mais cedo para o nosso amigo Leo S., que ganhou o novo Mega Drive com o jogo Guitar Idol. E como o Mega Drive é o poderoso irmãozinho do nosso querido Master, porque não pedir pro bom velhinho essa belezinha? Mas com entrada para cartuchos, por favor! ^^

E o melhor é que durante a época de ouro do MD a SEGA lançou cartuchos de coletâneas. A maioria com 6 jogos, e alguns chegavam a ter mais jogos ainda. Os mais comuns eram Sonic 1 (óbvio), Revenge of Shinobi, Collumns, Super Mônaco GP, Super Hang On, entre outros clássicos que nem sempre encontramos nas compilações feitas para os consoles desta geração (Sonic & Genesis collection é fantástico, pena que não tenho nem PS3 e nem X360). Assim pediria um Mega Drive com entrada para cartuchos e um desses cartuchos de coletâneas para poder curtir bem o Blast Processing durante os intervalos da minha jogatina com Phantasy Star. =D

Eu sei que poderia pedir o MD e o adaptador para rodar jogos do Master, mas o que eu quero é ver os dois lendários consoles lado a lado disputando a atenção da minha TV.



E é isso ae, pessoal. Aproveitem os comentários para escrever quais presentes "retrogaming" gostariam de ganhar neste natal. Enquanto isso, vou preparando um Master Review para não deixar o natal passar em branco.

Abraços, e até o próximo post! =D

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Locadoras de games - Nostalgia pura

Fala pessoal, beleza? Adinan novamente, dessa vez para falar um pouco sobre as queridas e amadas locadoras que fizeram a infância e a adolescência de muito retrogamer brasileiro.

É óbvio que me inspirei nos excelentes posts do Gagá Games (caso não tenha lido ainda, confira o post nostálgico do Gagá e o post filosófico do Senil), e também li muitas histórias neste tópico genial postado no Fórum do Outerspace (aqui), muitas das quais me identifiquei. Assim, decidi escrever um pouco sobre a minha história com as locadoras, as salvadoras da pátria quando o assunto era conhecer toda a biblioteca de um console da maneira mais econômica possível.

Após o natal de 1991

Bom, alguns devem ter lido as minhas memórias de quando ganhei o meu querido Master System, mas caso não tenham lido, clique aqui.

De qualquer forma, ganhei no natal meu Master com Alex Kidd in Miracle World na memória, e o cartucho do Jogos de Verão. Esses dois clássicos me renderam meses de diversão, mas chegou um ponto onde eu comecei a ficar enjoado de tanto jogar estes games, e assim quis jogos novos.

Meus pais infelizmente não queriam me comprar novos cartuchos, pois acreditavam que, a exemplo de Alex e Jogos de Verão, eu ficaria enjoado também e não ia parar de pedir jogos novos, sem contar que os cartuchos de Master deveriam ser caros na época.

Assim, surgiu a salvação mais ou menos perto de casa: havia uma locadora de filmes na Avenida Parada Pinto, onde minha irmãzinha e eu freqüentávamos todo sábado de manhã, acompanhados dos nossos pais, para alugar desenhos. O nome dessa locadora era Celfat Video, e estava fazendo sucesso naquela região da Zona Norte de São Paulo.

Um belo sábado vimos a garagem da locadora aberta, e logo na entrada uma placa com um Sonic bem desenhado, com o escrito "Celfat Games". Dentro da garagem, a nova modalidade da locadora: jogos e mais jogos espalhados pelas prateleiras.

"Olha mãe, agora eles alugam videogames!!!", e mal esperei minha mãe descer e já corri pra dentro da nova locadora para ficar admirando o ambiente. Havia um fliperama no centro com um Mega Drive instalado onde costumavam colocar Quack Shot, um balcão com cartuchos na vitrine (atari e famicom) e as prateleiras na parede com rios e rios de jogos. Claro que tinha uma enorme prateleira com jogos de Master System. Assim tratei de alugar um jogo para gastar meu final de semana na frente da TV. Se minha memória não me falha, o primeiro jogo que peguei foi o Castle of Illusion.

E lá vou eu feliz da vida pra casa, mas o que eram alguns metros pareciam kilômetros de distância, e mesmo estando de carro com meu pai que sempre correu como louco, parecia que ele dirigia a 10 km/h. Mas foi aí que, pela primeira vez, fiz o ritual de namorar a caixinha, abrir e ficar olhando o cartucho como se fosse um troféu, ler e decorar a sinopse, etc...

Então cheguei em casa, coloquei a fita com tudo, sintonizei a tv no canal 3, liguei o console, e o logo da SEGA apareceu! Ae fiquei tenso esperando a title screen do Castle of Illusion aparecer. E eis o que apareceu...

Bom, o que acontece é que no Master System 2 era um parto rodar alguns cartuchos. A maioria entrava no jogo de boa, mas dependendo das condições do cartucho o console iniciava o jogo armazenado na memória ao invés do game contido no cartucho.

Mas obviamente não desisti. Assoprei a fita, coloquei de novo e a tela ficou preta sem esboçar nenhuma reação...assoprei de novo, e apareceu a mensagem "software error", o que me deu um belo susto...assoprei de novo e continuei tentando encaixar o jogo de diversas maneiras, seja apertando a parte traseira com a parte frontal do cartucho, ou colocando suavemente, até que finalmente o Master conseguiu iniciar o cartucho.

Ao ver a linda cutscene de abertura e Mickey encarando o castelo das ilusões, eu sabia que meu final de semana seria em frente da TV, afinal quando se alugava o jogo no sábado, só era possível devolver na segunda-feira, o que rendia um domingo recheado de games e livre de porcarias tradicionais de todo santo domingo (Ô loco, meu).

Joguei, rejoguei, viciei, e na segunda bem no finzinho da tarde devolvi o jogo, na certeza de que no próximo sábado eu estaria de volta preparado para um novo jogo.

Jogatina todo final de semana

E assim foi a minha rotina toda semana. Aguardava ansiosamente o sábado para alugar novos games. Conheci uma locadora menor que ficava alguns passos de casa, uma outra que meu pai tinha convênio pelo trampo dele, e até mesmo uma locadora numa cidadezinha do interior, o que foi um achado e tanto (Iguape - litoral sul).

Joguei muitos clássicos como Asterix, Alex Kidd in Shinobi World, Shinobi, Wonder Boy, Sonic, Mônica no Castelo do Dragão, Double Dragon, Action Fighter, Lucky Dime Caper, Psycho Fox, Psychic World, Strider, Ys, Phantasy Star, Dynamite Dux, Super Futebol, e muitos outros games.

Mesmo depois de ganhar o Super Nintendo, o aluguel religioso e devocional de jogos para Master System não acabou, embora tenha reduzido bem...mas enquanto eu alugava Joe & Mac, Mega Man X, Magical Quest, Super Mario Kart e outros clássicos 16-bits, eu levava pra casa também Turma da Mônica em o resgate, Deep Duck Trouble, Land of Illusion, além de re-alugar alguns dos meus jogos prediletos como Psycho Fox e Sonic 1.

E assim foram a maioria dos meus finais de semana. Foram bons tempos...

Bons tempos que não voltam mais

Com o SNES, a pirataria era forte mas não o suficiente. Era possível comprar games piratas mais em conta, mas ainda assim o valor era alto. Foi com a geração Playstation que a pirataria ganhou força, expulsando algumas empresas como a Nintendo, e matando as nossas queridas locadoras. Afinal porque gastar R$ 5,00 para alugar um jogo quando se pode comprar o alternativo completo pelo mesmo preço ou até mais barato, e com a vantagem de não colocar um CD usado e todo riscado no seu aparelho...

Com o tempo as locadoras passaram a se livrar dos seus jogos, seja doando ou vendendo os mesmos a preço de banana, e assim desapareceram. A que tinha do lado de casa fechou assim que o PSX apareceu, e a Celfat faliu há 2 anos atrás, abandonando os games lá para meados de 98 se não me engano, e apanhando feio dos camelôs que vendiam 3 DVDs de filmes por "déi reau".

Talvez os mais novos, que não viveram a era das locadoras, perguntem: mas não compensa mais ter o jogo ao invés de ficar alugando, mesmo sendo pirata?

De fato é muito melhor ter o jogo do que ficar alugando, ainda mais quando o jogo requer dias para ser detonado. Mas a questão é o valor que o jogador dá para o game. Me lembro que com as locadoras, eu tinha tempo curto para zerar (no máximo um final de semana e a tarde da segunda-feira) e eu estava limitado a apenas um jogo por vez. Então eu jogava aquele game com muito mais compromisso, como se fosse o único jogo da terra.

O mesmo não acontece com os jogos piratas...eu mesmo tenho um Playstation 2 com mais de 50 DVDs, incluindo RPGs como Final Fantasy X, Kingdom Hearts e Xenosaga. Advinha quantos jogos eu zerei?

É verdade que nos dias atuais meu tempo é bem mais curto, o que me impede de me dedicar mais para jogar RPGs ou jogos maiores. Mas é engraçado que, no meu Nintendo Wii não-destravado, zerei todos os jogos que tenho, desde jogos simples como Wario Ware até Super Mario Galaxy, e esse último zerei 100%, inclusive repetindo a jogatina com o Luigi para adquirir as 241 estrelas.

Assim, a pirataria pode ser uma boa oportunidade para conhecer novos jogos, mas ela nunca irá substituir a magia das locadoras, a corrida contra o tempo para zerar o jogo em um final de semana, a angustiante reserva de lançamentos e a vantagem de jogar em mídia original sem correr o risco de zoar com o videogame.

De qualquer forma, vimos com o Blu-ray que é possível vencer a pirataria, então quem sabe num futuro próximo a pirataria enfraquece e as locadoras voltam? Esse é o meu maior desejo para as próximas gerações de consoles: que as empresas possam derrotar a pirataria e trazer toda aquela magia das locadoras de volta!



É isso pessoal, espero que gostem desse post. Assim como todos os integrantes do QG Master, estou numa correria insana graças aos preparativos do final de ano e aos trabalhos da pós, mas vou me esforçar para continuar os reviews e escrever alguma coisa para não deixar o natal passar em branco.

Abraços a todos, e até o próximo post. =)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Manual Wonder Boy

E ae rapaze! Leo S. de volta com mais um manual disponível para download.
Você deve ter reparado que estamos com mais de uma semana de blog parado, fim de ano é loucura mesmo, e eu como todo bom (ou não) publicitário, to parecendo aquele urso do pica-pau.



Bom, mas falando do que interessa, hoje em homenagem a nosso querido Adinan, que, assim como eu, ama de paixão o garoto maravilha do Master System, temos aqui mais um maravilhoso (desculpem o trocadalho) manual disponível pra download: Wonder Boy.
Divirtam-se!

Clique na imagem abaixo para baixar o pdf.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Master Review - Jogos De Verão (1989)



Olá pessoal, aqui é o Matheus e hoje e vou falar de um jogo que realmente ajudou a popularizar o nosso querido Master System aqui no Brasil e que com certeza marcou a vida de muitos que jogaram este clássico: Jogos De Verão. Nos outros países ele é conhecido como California Games, mas creio que a Tec Toy mudou o título com o objetivo de querer popularizar no nosso país, o curioso é que ela manteve o nome original na tela inicial do jogo.
Ele foi produzido pela Epyx, bastante conhecida por produzir jogos de esporte nesse estilo (seus jogos eram baseados em esportes competitivos, reunindo várias modalidades em um cartucho só, parecido com o clássico Track & Field da Konami). Anteriormente ela tinha lançado jogos nesse estilo como Summer Games e World Games, mas esse foi sem dúvidas o mais popular entre eles.
Tela inicial do jogo.

Jogo


Como eu expliquei no começo do texto o jogo realmente se chama California Games e ele traz no total seis modalidades: Half Pipe, Foot Bag, Surf, Skating, BMX e Flying Disk (Frisbee), ou seja, esportes comuns de serem praticados na Califórnia. Todas são muito fáceis e simples de aprender e jogar. O seu objetivo? Marcar muitos pontos e ultrapassar os recordes propostos pelo jogo. Assim que você liga o jogo você encontra as seguintes opções:
. Compete in All Events - Como o próprio nome diz, é para competir em todas as modalidades.
. Compete in Some Events - Para quem não curte algumas modalidades essa é uma ótima opção pois aqui você escolhe em quais quer competir.


. Compete in One Event - Recomendável para aqueles que querem competir em apenas uma modalidade, enfim se você de apenas uma ou apenas quer superar os recordes naquela modalidade que tanto gosta, essa é a melhor opção.


. Practice One Event - Importantíssimo, como o nome diz é para você praticar em alguma modalidade, bom para não pagar aquele mico na hora da competição.


. View High Scores - Aqui fica registrado os recordes do jogo, como o cartucho não possui bateria, assim que resetar o console você perde todos os seus recordes.


. View Title Screen - Voltar para a tela inicial do jogo.


O mais bacana nesse jogo é que além de você poder jogar sozinho, você tem a opção de jogar com até 8 pessoas no total, o que torna o jogo mais divertido e competitivo ainda. Você também pode colocar o seu nome (o que ajuda na hora da identificação quando jogado no multiplayer) e também a sua equipe patrocinadora, uma coisa bastante incomum para essa época.

Escolha um dos três modos de competição...

registre o seu nome e...
escolha a equipe patrocinadora que irá representar.

Agora que eu falei um pouco de cada opção do jogo, vou dar agora alguns detalhes de cada modalidade e também algumas dicas para acumular bastante pontos:
Half Pipe

Pra mim, uma das modalidades mais legais do jogo, aqui o seu objetivo é fazer manobras radicais neste imenso half pipe. Para controlar o skatista basta guiá-lo com o direcional, assim ele vai ganhando impulso para chegar no outro lado do Half Pipe. Assim que ele chegar pressione o direcional para o lado oposto para executar o Kick Turn. Mantendo o direciona pressionado por um tempo dará mais pontuação,mas cuidado, se manter pressionado por muito tempo você vai perder o equilíbrio e então cair. Quando chegar bem próximo ao fim da rampa, pressione o botão 2 para executar o Hand Plant, aqui a mesma regra do Kick Turn serve para ele, mantendo pressionado por um tempo voce consegue mais pontuação e se pressionado por muito tempo, é tombo na certa.
Uma boa dica é fazer o Hand Plant (foto), assim você vai acumulando pontos e ao mesmo tempo vai ganhando impulso para chegar ao ar e...

assim executar o Aerial Turn, a manobra que vale mais pontos nessa modalidade (quanto mais alto chegar, maior a pontuação, lembrando que o maior ponto é 999).

Tempo encerrado!!!
Foot Bag
Essa modalidade é sem dúvida a mais bacana de jogar e também a mais viciante, ela consiste em marcar pontos fazendo embaixadinhas, o que garante muitas possibilidades de acumular pontos, para chutar a bolinha pressione o botão 2, quando ela estiver no alto pressione o botão 1 para cabecear a bola (é possível fazer isso com o botão 2, mas com o botão 1 é mais seguro). Lembre-se que dependendo do ângulo e da distância em que a bola estiver você executará outros movimentos no lugar da cabeçada.
Não se esqueça que há um tempo limitado para fazer tudo isso, então procure ser ágil, faça movimento variáveis e de preferência os que valem mais , caso faça a bola ir para fora da tela ela será arremessada novamente, caso consiga executar algum movimento enquanto ela estiver no ar você ganha pontos extras, você também ganha pontos se atingir a gaivota que sempre passa pelo cenário.

Procure fazer vários movimentos como o Jester e...

o Doda, pois eles são uns dos movimentos que valem mais pontos.

Pobre gaivota, nem ela escapa das habilidades do garoto.
Assim que o tempo encerrar o jogo vai analisar todos os seus movimentos realizados, dando muitos pontos extras conforme a sua variação de movimentos.

Surfing

O objetivo aqui é simples, porém um pouco complicado. O seu objetivo é realizar várias manobras enquanto uma grande onda está prestes à te engolir. Assim que começar a surfar, utilize o direcional para os lados para movimentar o surfista, caso queira reduzir a velocidade, mantenha pressionado o botão 2 assim que estiver movendo o surfista para os lados, isso ajudará a ficar abaixo da onda, lhe dando alguns créditos na hora da avaliação final. Procure executar alguns saltos, mas tenha cuidado pois qualquer queda irá reduzir muito as suas notas finais.


Seja corajoso!
Dê saltos incríveis e...

encare a terrível onda!!

Essa é uma das modalidades mais difícil de conseguir uma boa pontuação, esse loirinho mal humorado sempre dá nota mais baixa entre os outros.
Skating
Mostre toda a sua habilidade sobre o patins neste enorme calçadão, mas não pense que será fácil porque haverá muitos obstáculos loucos para ver você estendido no chão.
Para mover a patinadora, pressione o direcional para cima e para baixo, mantendo o direcional pressionado para o lado esquerdo ela dará um giro, te dando alguns pontos. Procure desviar dos objetos que se encontra pelo chão e quando encontrar alguma rachadura, pule, isso também valerá alguns pontos.


Se você saltar girando você consegue mais pontos.
Acho que vou caaiiiiiiiiirrr!!!!

BMX

Se você estava em busca de desafios, esse é pra você. Encare uma incrível pista no deserto cheia de rampas e obstáculos e mostre o seu talento sobre uma BMX.

Pressione o botão 2 para ganhar velocidade e o botão 1 para pular. Desvie dos objetos que se encontram pelo chão com o direcional pressionado para cima, para baixo ou pulando. Quando encontrar uma rampa, pressione o botão 1 para ele dar um grande salto. Esse é o melhor momento para acumular muitos pontos, assim que estiver no ar pressione o direcional para alguma direção para ele executar alguma manobra, sendo assim um total de quatro manobras: Tabletop (direcional para cima), Backward Flip (direcional para esquerda), Foward Flip (direcional para direita) e o 360° Turn (direcional para baixo). Dependendo da altura do seu salto a manobra executada poderá valer mais pontos (em algumas situações ela muda até o nome).

Além dessas manobras é possível você inclinar a BMX mantendo o direcional pressionado para o lado esquerdo. Mas é bom ter muito cuidado quando realizar alguma manobra como o Backward Flip e principalmente o Foward Flip, como são manobras muito complexas elas levam um tempinho para serem executadas completamente, caso você cair no meio da manobra você corre o risco de bater a cabeça, fazendo com que a sua partida encerre na hora. Evite também manter a bicicleta muito acelerada porque no fim do estágio há um grande precipício e se cair ali é morte na certa.



Tenha estilo!

Faça manobras radicais!

Mas tenha cuidado, é bom manter a velocidade equilibrada, ou...


você não vai gostar do que vai ver.
Flying Disk
Prepare-se para o último desafio, tenha um pouco de paciência pois essa modalidade não é tão fácil quanto parece, o seu objetivo é o seguinte: lançar o disco e pegar com a outra personagem que está do outro da tela.
Para lançar o disco, pressione o direcional para o lado esquerdo, fique atento ao indicador, assim que ele estiver marcado na barrinha verde no Speed, pressione o direcional para o lado direito. Assim que pressionar, o indicador automaticamente voltará para o começo da barra, assim que estiver marcado sobre a barra verde no Angle, pressione o botão 2 para a garota lançar o disco. Agora é a hora de controlar a garota que está do outro lado, prepare-se pois agora será um pouco complicado.

Concentre-se e marque o indicador corretamente para ter um lançamento bem sucedido. Preste atenção porque é neste quadro vermelho (aonde a seta indica) que você vai acompanhar a trajetória do disco.

Procure sempre estar de olho no pequeno quadro (foto acima) que fica no canto superior da tela para ver se o disco está se aproximando, assim que ele estiver bem próximo corra com o direcional para pegar o disco (ela pega automaticamente), mantendo o direcional pressionado para cima ela irá erguer o braço, mas é bom evitar fazer isso porque é mais complicado do que o primeiro método. Agora caso estiver um pouco distante do disco pressione o botão 2 para saltar em direção dele.

Seja esperto e comece a correr assim que ver o disco se aproximando.

Boa pegada!!!

Bonus Game
Uma coisa que ajuda bastante é que, caso você ultrapasse os recordes do jogo você participa de um minigame, que funciona da seguinte maneira: três imagens ficam girando, caso pare as três e elas pararem na mesma imagem você ganha algo novo correspondente à essa imagem. Lembrando que são apenas três imagens diferentes e cada uma corresponde à uma modalidade: parando três fotos correspondete à modalidade do BMX você ganhará uma bicicleta nova, ela é mais rápida e também dá saltos mais altos e precisos. Caso pare nas fotos da modalidade do Surfing você ganhará uma prancha nova, ela te garante mais velocidade e também saltos altíssimos. E o último, a foto que representa o Foot Bag, que faz com que você tenha reflexos na hora que a bolinha estiver no ar, lhe dando mais facilidade em executar movimentos mais complexos como o Reverse Doda e o Double Arch. É uma pena não haver equipamentos novos para as outras modalidade como o Skating e o Flying Disk, se houvesse ajudaria muito já que não é tão fácil acumular tantos pontos nessas modalidades.


Tenha muita paciência e...

sorte, você será muito bem recompensado!!
Não consegue acertar as três fotos?Anda azarado que nem eu?? Não se preocupe, aqui você confere as dicas para ganhar no Bonus Game sem erro:

. BMX - Na tela que você registra o nome, digite KOTARO, depois ultrapasse o recorde em qualquer modalidade, assim que entrar na tela de Bonus aparecerá a mensagem "Hello KOTARO!!". Assim que parar as três fotos, automaticamente você ganhará a BMX nova.

. Reflexos no Foot Bag - Na tela que você registra o nome, digite TAKAKO, depois ultrapasse o recorde em qualquer modalidade, entrando na tela de Bonus aparecerá a mesagem "Hello TAKAKO!!". Assim que parar as três fotos, automaticamente você ganhará a habilidade dos reflexos.

. Surfing - Na tela que você registra o nome, digite NORIKO, depois ultrapasse o recorde em qualquer modalidade, assim que entrar na tela de Bonus aparecerá a mensagem "Hello NORIKO!!". Assim que parar as três fotos, automaticamente você ganhará uma prancha de Surf nova.

Situações Curiosas

Em algumas modalidades podem ocorrer situações bem curiosas como o terremoto na modalidade do Half Pipe ou então acertar a gaivota (o coitado tem até nome hahaha) ou então no Surfing, que quando você cai pode aparecer um golfinho, uma gaivota e até mesmo um tubarão, o engraçado é que quando o Tubarão aparece começa a tocar o tema do filme Tubarão. Uma pergunta bastante comum é o que fazer para que ocorra o terremoto? Eu não se dizer se realmente há uma maneira de fazer com que aconteça isso, pra mim isso é como as outras situações que ocorrem como por exemplo no Surfing, uma hora aparece um tubarão, uma gaivota e tem hora que não aparece simplemente nada, é tudo questão de sorte mesmo. Eu consegui gravar um vídeo (infelizmente ficou em baixa qualidade e sem áudio, mas dá pra ver o skate e a letra L caíndo) de quando eu estava treinando. Pra quem ficou curioso aqui está o vídeo:



Agora há outras situações que eu já ouvi falar, mas nunca presenciei. Muitos juram ter pulado a cerca no final da modalidade do Skating, de terem sido atacados por um urso e até serem abduzidos por um UFO no Flying Disk, outros falam que é possível atingir o barco no Foot Bag. Eu não sei se esses que eu citei são realmente reais ou não, devemos lembrar que há versões desse jogo para diferentes consoles e computadores, de repente pode até acontecer neles mas no Master System apenas os que eu citei acima eu presenciei.

Gráficos

Jogos De Verão possui gráficos bons com cenários coloridos e caprichados (destaque para o efeito da onda na modalidade do Surfing), os personagens tem uma movimentação bem bacana, e o melhor de tudo, sem quedas de frames. Mesmo não tendo uma grande variedade nos cenários (apenas um lugar para cada modalidade) eu nunca ví alguém que reclamasse ou enjoasse do jogo.

Som

O jogo possui uma ótima trilha sonora (com até algumas conhecidas como a música de introdução e a que toca na modalidade do Surfing) e te deixa totalmente no clima do jogo, cada modalidade possui a sua própria música e todas são muito agradáveis de ouvir, o jogo também possui alguns efeitos sonoros os saltos que você executa nas modalidades do Half Pipe e BMX, de quando você cai na onda no Surfing e até mesmo algumas vozes digitalizadas, quem não se lembra do cara que fala na tela que mostra a modalidade que vai ser competida: Go Trasher! ou então: Hack it!
Outro ponto forte é que esse jogo também tem a função FM, melhorando mais ainda a qualidade sonora do jogo. É uma pena só os modelos do Master System japoneses terem essa função, mas cá entre nós, não existe nada melhor do que ouvir aquele som nostálgico do nosso Master System, ainda mais quando você jogou na época ou no próprio console.

Jogabilidade

Por ser um jogo de esporte a jogabilidade é fundamental e mais importante do que os requisitos citados acima, aqui o nosso simples joystick cumpriu muito bem o seu papel trazendo uma jogabilidade precisa e que responde bem aos nossos comandos, porém ela é um pouco confusa.

Em algumas modalidades você vai se frustrar um pouco com a jogabilidade do jogo como por exemplo no Skating, em que você tem apertar o direcional para cima e para baixo em sequência para movimentar a personagem, dando um pouco de desconforto para o jogador. Há também momentos em que os comandos atrapalham o jogador como por exemplo no Foot Bag (tem horas que ele dá a cabeçada em vez do chute ou então acaba executando um movimento errado). Portanto não espere que bata recordes logo de cara, tenha um pouco de paciência e pratique muito.

Conclusão
Enfim pessoal, Jogos De Verão é realmente um jogo bacana e consegue divertir a qualquer hora, ainda mais quando se joga com os amigos, e mesmo não tendo algum enredo ou algo do tipo (já que se trata de um jogo de esporte), é um jogo muito bacana porque você pode jogar a qualquer momento e sem compromisso, afinal de contas não é todo dia que temos aquele tempo livre para nos dedicar à algum jogo longo (como um RPG por exemplo). Portanto jogue, pois eu garanto que você não vai se arrepender, o único problema é que você vai sofrer um pouco pra desgrudar desse jogo pois ele é realmente muito viciante. Enfim um ótimo jogo que não pode faltar na sua coleção.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Master Review - Wonder Boy (1987)

Fala pessoal, beleza? Demorei horrores para postar, mas conforme prometido estou dando continuidade ao dossiê Wonder Boy, dessa vez através de uma série de Master Reviews onde pretendo avaliar cada um dos quatro jogos listados na segunda parte do dossiê.

Analisar Wonder Boy é uma tarefa que eu estava doido para fazer há muito tempo. Este jogo é tão arcade e voltado a velocidade que pode facilmente ser considerado como avô de Sonic the Hedgehog. O mais curioso é que suas continuações deixaram de lado esse design em favor de elementos de Action RPG.
Wonder Boy esteve presente em vários consoles da época, além de ter sido clonado pela Hudson para lançamento no NES, sobre o nome Hudson's Adventure Island. O primeiro console da SEGA a receber o port foi o SG-1000, que devido à suas limitações técnicas, teve uma versão bem diferente e meia boca do jogo. Somente no Master System é que Wonder Boy teria a chance de ser um port à altura do arcade.
De qualquer maneira, bora falar sobre este jogo! =D

O jogo
  • Desenvolvedor: SEGA/Escape
  • Outras plataformas: Arcade, Amstrad CPC, Commodore 64, Game Gear, Wii VC, ZX Spectrum, SG-1000
  • Nome alternativo: Super Wonder Boy (Japão)
  • Data de lançamento: 22 de Março de 1987
  • Gênero: Action/Sidescrolling Platform Game
Wonder Boy é o primeiro jogo criado pela Escape (nome antigo da Westone) lançado para arcade, computadores e para os consoles da SEGA, o SG-1000 e Master System. Enquanto a versão do SG-1000 é bem diferente do original por causa das limitações do console, a versão para SMS é o melhor port que este jogo já teve.

A história é bem simples: Tom-Tom e Tanya estavam bem, felizes e apaixonados, quando Drancom, um bruxo bizarro, se sente atraído pela beleza de Tanya e decide tomá-la para si, levando-a para uma ilha recheada de perigos. Tom-Tom parte para a ilha para resgatar sua amada e para descer o cacete no Drancom, pra ele deixar de ser besta e não mexer com a muíe dos outros.

Mais clichê que isso, impossível. Mas temos que dar um desconto pois estamos falando de um jogo dos anos 80, onde a história não era o grande atrativo do jogo mas sim uma mera desculpa para colocar o jogador em apuros.

O jogo consiste em 9 áreas, cada área consiste em 4 rounds, e cada round possui 4 seções. O objetivo em cada round é levar Tom-Tom até o final da quarta seção, no clássico sentido da esquerda para a direita. Cada seção está sinalizada com uma placa, indicando ao jogador em qual parte do round ele se encontra e servindo como checkpoint caso perca uma vida.

As temáticas de cada round variam desde florestas até cavernas, num clima bem tropical. Nesta versão do Master System, temos também cachoeiras, desertos e vulcões em erupção ao fundo.

O game design do jogo foi feito para que o jogador se torne um maratonista das cavernas. A barra de vitalidade que reduz com o tempo e deve ser constantemente reabastecida para que Tom-Tom não morra de fome, trechos longos que devem ser passados correndo, subidas e descidas com pedras rolando em sua direção, entre outros elementos que deixam o jogo voltado a velocidade e corrida contra o tempo.

Como inimigos, temos lesmas, canibais, sapos, polvos, peixe-espada, entre outras criaturas que com um único toque matam o pobre Tom-Tom. Felizmente, Wonder Boy pode contar com diversos power-ups para ajudá-lo. Estes power-ups são encontrados na maioria das vezes dentro de ovos espalhados pelos rounds.

O essencial é a machadinha de pedra, a única arma que o jogo fornece para atacar os inimigos. Existem trechos onde a falta da machadinha causará choro e ranger de dentes.
Além disso, temos o skate, que aumenta a velocidade do jogador e impede que seja morto com um único toque. Porém sua desvantagem é que é impossível parar o skate, apenas reduzir a velocidade, o que pode resultar em mortes com direito a músiquinha dos Trapalhões. Por fim temos também garrafas de leite que reabastecem por completo a barra de vitalidade, cogumelos que aumentam os pontos fornecidos pelas frutas, o anjo da guarda que garante invencibilidade por tempo limitado, as bonecas da Tanya que duplicam o bônus recebido no final do estágio, os utensílios femininos (bolsa, relógio) que transportam Tom-Tom para a fase de bônus nas nuvens, e as letras da SEGA que rendem uma vida ao serem colecionadas (idéia similar às letras KONG de Donkey Kong Country).

Como podem ver o jogo possui uma boa quantidade de power-ups para um game dos anos 80, incluindo inclusive um "power-down": a maldita dona morte, que reduz rapidamente a barra de vitalidade, tornando nossa vida um inferno.

No final do quarto round de cada área o jogador deve enfrentar Drancom. A batalha não é muito difícil, Drancom fica apenas andando pra frente e pra trás enquanto atira bolas de fogo. Basta acertar a sua cabeça diversas vezes para acabar com ele. O mais bizarro é que ao derrotá-lo, sua cabeça cai e dá lugar a outra cabeça, e este foge voando.

O jogo possui, além das 9 áreas, uma décima área secreta, que pode ser acessada somente se o jogador conseguir coletar todas as 36 bonecas da Tanya. O problema é que após a 2º área as bonecas estão muito bem escondidas. Algumas requerem que o jogador tropece em pedras ou se atire em fogueiras suspeitas para aparecerem.

Os controles respondem muito bem, mas para os padrões atuais a jogabilidade é um pouco ultrapassada. Trocar a direção do pulo no ar é impossível, Tom-Tom é bem escorregadio enquanto corre, é preciso segurar o botão de ataque para dar o pulo mais alto mesmo quando o jogador não está correndo...enfim, são decisões de design que já demonstram sinais de envelhecimento e podem irritar os jogadores atuais.

Os gráficos são muito bons, e demonstram que o Master System foi uma excelente plataforma para ports de jogos de arcade. O cenário é bem feito e os personagens são muito bem desenhados. O som é muito bom também, embora tenha poucas músicas (especialmente se for comparado à Adventure Island). Do primeiro ao terceiro round, o jogador vai ouvir a mesma música. São músicas boas e memoráveis, mas repetí-las a exaustão torna o jogo um pouco cansativo.

Falando em jogo cansativo, este aqui é um jogo bem grandinho para a época. Um colega meu acreditava que Wonder Boy não tinha fim, tamanho o tempo necessário para terminar pelo menos as 9 áreas. Adicione aí a dificuldade alta nas últimas áreas, a busca pelas bonecas e a falta de passwords, e temos aí um jogo hardcore e nonsense, quase impossível de zerar se não fosse pelo sistema de continues.

Legal, mas...o que o torna especial?

Wonder Boy foi muito comparado ao Super Mario Bros na época, provavelmente porque era um dos poucos jogos de plataforma sidescrolling, um gênero que estava engatinhando nos anos 80. Contudo, a jogabilidade é bem diferente, focalizando-se mais em velocidade e corrida contra o tempo. Mario tinha o crônometro, mas não era algo tão crucial como em Wonder Boy. Em Super Mario Bros haviam poucas fases onde o tempo era escasso; já em Wonder Boy a situação fica séria se o jogador decidir ignorar as frutas logo na primeira fase.

Além disso, outro ponto que eu acho divertido é encontrar os itens secretos. Embora seja um jogo mais arcade e voltado a correria constante, nada impede o jogador de parar um pouco e tentar encontrar as letras da SEGA ou as bonecas escondidas pelo cenário, adicionando assim um bom desafio para os gamers exploradores.

Por fim, o jogo tem um forte carisma. Design de personagens, a trilha sonora, o ambiente, tudo aqui contribui para uma experiência agradável capaz de manter o jogador na frente da TV e incentivando o mesmo a voltar sempre para uma nova partida.

Conclusão


Wonder Boy é um jogo bem viciante. Por mais que seja longo e cansativo, sempre incentiva o jogador a continuar a jogatina, deixando sempre aquele gostinho de "quero mais". Não é um jogo perfeito, e sua fórmula chega a ser bem antiquada para os padrões atuais, mas este game conseguiu envelhecer bem, podendo divertir muitos jogadores mesmo nos dias atuais.
Para quem gosta de um bom jogo de arcade, de trabalhar sob pressão do tempo ou de coletar itens, Wonder Boy é o jogo certo. Donos de Master System DEVEM possuir este jogo, é um clássico que demonstra o potencial do 8-bits da SEGA.



E por hoje é só pessoal! No próximo review pretendo falar sobre a continuação, onde a Westone deixou de lado a jogabilidade rápida em favor da adição de elementos de RPG, definindo assim o rumo dos jogos da série.

Abraços, e até o próximo post. =)

Good night, brave warrior. Good night, Monster Land...