quinta-feira, 25 de julho de 2013

Master Review - Akai Koudan Zillion (1987)


Saudações a todos os mastergamers. Se na última matéria conferimos o nascimento do SG-1000, que tal voltarmos às origens de muita gente, quando o Master System chegou ao Brasil? Estamos falando do jogo patrocinado pelo anime... Ou seria o anime patrocinado pelo jogo? Estamos falando de Akai Koudan Zillion.


NUMA GALÁXIA (POUCO) DISTANTE...
Tudo aconteceu (ou acontecerá) no planeta Maris, no ano de 2387.  O planeta Maris é considerado uma Segunda Terra, onde sobrevivem os seres humanos numa grande colônia. Surpreendentemente, Maris é invadida pelo império Noza que inicia um violento ataque aos habitantes do planeta. Os humanos parecem sem esperança, devido ao poder dos invasores. A desesperança é abalada quando são descobertas três armas com um misterioso poder.
As forças humanas lideradas pelo Chefe Gord criam uma unidade especial de heróis para manejar as armas, os White Nuts (ホワイト・ナッツ). As armas são batizadas de pistolas Zillion. Escalados por suas habilidades, o grupo foi formado por Champ e Apple, mas por um engano o indisciplinado J.J. é integrado à equipe, se tornando  um destaque, e lógico surgindo um romance com Apple.
A equipe também contava com o mecânico Dave, o robozinho Opa-Opa e Amy, a típica secretária que faz um café horrível! 
Do outro lado da balança, o império Noza era comandado pela rainha Admiss e pelo Barão Ricks, que cria uma rixa pessoal com J.J. Por trás de cruéis inimigos, a Rainha queria o planeta apenas para a sobrevivência de sua espécie. 
Por fim, nos 31 episódios exibidos, havia uma misteriosa relação entre J.J. e a Zillion, o fim meio brusco, torna esta série uma espécie de "Caverna do Dragão" japonês.
Se você quiser mais detalhes, confira aqui o Arquivo secreto de J.J. feito pelo Big boss Leo!
Maior merchandising que isso, não dá...
Eu achava que precisava das pistolas neste jogo. 


 GAME ALÉM DO GAME
A Abertura "à la James Bond" arrebentava, quando outros jogos
do Master apenas lançavam uma tela com o Título.

Um pouco distanciado pelo tempo e a memória, eu diria que Zillion I é um jogo básico da primeira safra do Master. E a própria indicação na capa japonesa de 1 Mega (ausente na capa ocidental), ou uma visitinha no youtube faria você pensar que é um jogo simplório, um básico run n' gun. Ledo engano.

O acordo da Tatsunoko previa que seu "garoto propaganda" fosse o mais complexo já feito até aquele ano, e saiu dada as limitações da época no jogo "que todo garoto sonhou". Não, você não precisará da Pistola Light Phaser, como eu mais novo achava que precisava, ou dos Óculos 3D, já que eles usavam aquelas lentes iguais a do Vedjita.
No jogo, Chefe Gord dá a missão de invadir uma base subterrânea Noza e roubar  5 disquetes (Sim! Pensávamos que no futuro ainda usaríamos disquetes!!) para explodir o Computador Central. Champ e Apple foram antes e parecem que estão enrascados, cabendo à J.J. salva-los.

                                   

GRÁFICOS E SONS
Como na matéria sobre Borgman, temos a mesma questão. O jogo baseado num futuro distante, soa principalmente para a geração Playstation, um bocado ultrapassado em termos de gráfico. Principalmente as paredes de corredores e elevadores puramente "brancos", quando em meados de 1991, Sonic já trazia uma fortaleza eletrônica mais detalhada. A sprite de J.J. deixa um pouco a desejar, mas lembremos que é a estreia dele. O destaque são os rostos das cutscenes, limpos, simples, mas bem feitos, embora o fundo preto que virou regra depois, seria mais bonito. O game over traz a tristeza de Amy e a Risada de Barão Ricks, não uma mera tela de Game Over.
Os sons, ah, os sons, são para agradar os fãs da série, com direito ao tema de abertura "Pure Stone" quando você desembarca do veículo. As músicas são de tema heróico, nada tenebroso, o que te empolga mais pra afundar na fortaleza Noza. Os tiros, depois de um tempo podem se tornar repetitivos, ainda mais o efeito de eco que produzem, e quando você se arrasta, ouvimos um barulho típico de motores de tração em outros jogos.     

Dica: Você pode voltar ao veículo para recuperar
 seu life com Amy...

...E voltar à briga!
 LABIRINTO OU PESADELO?
O melhor do jogo é que ele não é linear, mas se inspira em um concorrente do NES, Metroid, em que você deve explorar o cenário ao invés de seguir uma linha reta com subidas/descidas obrigatórias. Embora, o jogo tem originalidade não sendo mero clone. Ao pausar o jogo, surge a tela de status do personagem, o que fascinou muito garoto na época, a noção de níveis do personagem!  


O sistema de combate parece simples. Atirar e pular. Os tiros no início são limitados em alcance.  Mas a partir do momento que você adquire o power up, seu poder de alcance aumenta. Como em muitos animes, a noção de aperfeiçoamento transparece no jogo. 



Pelo Status, percebemos que os personagens possuem um Nível, semelhante aos RPG's, com habilidades especificadas. O "Scope" é o Visor que detecta linhas com armadilhas de sensores. Um personagem está vendo a armadilha enquanto outro não vê, fazendo surgir uma penca de Nozas quando passa.  Isso já distancia bastante do simples bata e ande. Você sobe de nível quando acha o power up do Opa-Opa, uma bela sacada dos programadores. 

Apple , a musa do desenho, agradecendo
que foi resgatada.
 A partir do momento que você encontra um dos membros, ele estará disponível, cada um com suas características. Já sabemos: Apple por ser mulher é mais rápida e Champ que converteu sua Zillion num rifle, é mais poderoso. Na época, eu revezava com uma amiga, a partir do momento que Apple estava disponível.

Assumindo o controle do vaidoso Champ e
enfrentando o "Dragão".

O lado mais Sci-Fi do Game fica por conta dos computadores que possuem um teclado com caracteres alienígenas (você usava Runas Celtas para jogar Ultima IV? Que tal algo que nem é terráqueo?) e aparece na capa do game ocidental. Você deve ter um cartão para acessá-lo, que está dentro de um dos containers que você deve abrir na bala (ou melhor, na luz vermelha!) e o código está dentro de quatro key-words dentro dos containers da sala. Antes da missão, o robozinho Opa-Opa lhe transmite alguns códigos básicos desde teleporte de áreas e desativar paredes laser até cometer suicídio se ficou com raiva! 

Às vezes este troço me deu raiva!
Digita "Suicidio" aê!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Parece simples o desafio, até pela inexistência de Time (que só aparece em um certo momento), mas você se sente coagido a "correr por sua vida, idiota"! (Obrigado pelo conselho, Gandalf). O desafio é longuíssimo com uma boa motivação: o anime, se você foi fã, merece seu seu esforço. 

Quando liguei esta semana de niver do Sega-1000, fui comemorar com o Zillion I, e tive uma sensação de boa surpresa. Curti este jogo. Era louco pelo desenho, mas só jogava o Zillion II: Tri-Formation, pois achava, com o passar dos anos (memória curta!), que o segundo era mais completo. Zillion I nos mercados de internet encontram-se mais raros que o sucessor. A geração "Plays da vida" dificilmente apreciaria os gráficos primários, e logo se frustraria com o desafio. Mas é compreensível. Quem hoje entenderia o valor deste jogo para o Master System?  


13 comentários:

  1. Taí um game que eu preciso vasculhar mais à fundo, pois se trata de uma verdadeira relíquia pro Master.

    O que me confundia bastante era esse sistema de códigos, chato pra caralho!

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    1. Relíquia com certeza, Cosmão!

      Aliás, era um daqueles primeiros jogos que precisava de um papel do lado. As letras a gente descobre que são números espelhados, mas ficou bem legal. No ínicio eu tinha ódio, depois que descobrir que era "estoure o tonel e anote no papel" ficou fácil. Cada sala é um puzzle por si mesmo.

      Abraços!

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  2. "Zillion I nos mercados de internet encontram-se mais raros que o sucessor."

    Se na época de seu lançamento, não vi nem sombra de Zillion, só o Tri-Formation (que é sensacional). Como fã do desenho. pirei ao ver o JJ montado em seu triciclo que se convertia em armadura, tal qual o anime. Hoje, eu tenho os dois Zillions, cartuchos que me custaram míseros R$ 10 em um camelô aqui de Cubatão.
    A partir de 1998, eu já tinha acesso à emuladores mas, meu empenho com jogos não era mais o mesmo. Então, o Z1 eu nunca joguei de fato... só uns minutinhos para saber se o cartucho estava funcionando.
    Este é um dos games que preciso me redimir e encará-lo com o respeito que merece (ainda que não inteiramente, pois não é possível voltar no tempo).
    Até mais!

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    1. Olha, você tem os dois?!! rss
      Era mais fácil alugar o II na minha locadora.
      Eu achava que estava no lucro com o II, pois tinha a motinha, na época. Inesquecível pra mim foi a seção Master Dicas, que além de encher a bola deste game (curioso que vejo hoje uma legião de fãs, nem amigos nem primos falavam de Zillion na época)ensinou certa vez como fazer a formação Alpha do Tri-Charge! nunca esqueci!
      O Zillion I precisa de mais dedicação que o II, porque se ele é ainda meio bruto, é por sua vez mais pretensioso, propositalmente para dar uma longa vida em termos de desafio.

      Abraço.
      P.S: entendo muito bem a "volta ao passado". rss

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  3. Cara, que belo post!
    Muito bom relembrar Zillion, o jogo, o anime, as músicas, os personagens, TUDO!
    Sobre o jogo, como eu demorei pra entender como ele funcionava a primeira vez que joguei. Não sabia dos comandos pra desabilitar raio, alarmes, etc. Imagina jogar esse jogo na raça sem desativar essas coisas? Morri demais! Mas zerei o jogo, só não lembro se foi sabendo ou não dos códigos. O do suicício eu até hj não entendo pq existe, mas é engraçado eles terem colocado.
    Nunca joguei Metroid, mas creio que Zillion realmente seja um jogo original, embora tenha as semelhanças com o jogo da Big-N.
    Mais uma vez, muito bacana o texto!
    Abraço

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    1. Pois é, Caduco!
      Sei que vc é muito fã também da série. Não é só o jogo, a gente relembra uma época da nossa vida com isso.
      Os comandos apareciam no início do jogo em inglês. E não adianta, nem o melhor gamer deixou de morrer nele.
      O suicídio existe mais como possibilidade igual ao Heroes of the Lance. O comando na sala certa te dava uma informação secreta, lógico você morria de susto. rss
      Apareça sempre!
      Abraço

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    2. Explicando melhor: O suicidio é quase uma "roleta russa", vc no lugar certo ao invés de morrer, acaba ganhando uma informação secreta.

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  4. Só eu notei que os supostos "caracteres alienigenas" nada mais eram do que os nossos tão conhecidos números arábicos, só que invertidos e espelhados? Por exemplo: pegue o número 5, vire ao contrário e simule um espelho ao seu lado direito. É isso! :D

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    1. Felizmente não! rss
      Como respondi acima pro Cosmão, o código são de 1 a 0 espelhado. Uma brincadeira que inclusive foi repetida em outro anime espacial da época, "Martian Sucessor Nadesico." com o nome do herói Akito num programa secreto: "Otika".

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  5. Eu ja joguei ''Metroid'' e ''Zillion'' e este não tem nada a ver com ''Metroid'', mas pode ser considerado um jogo inspirado em ''Impossible Mission''.

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    1. Sim, Pheli. São diferentes, mas é porque só haviam os dois no gênero exploração na época. Abraço!

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  6. Confesso que Tri-Formation ainda é o game que mais me agrada. Como eu passei batido no anime, não carrego tanta Nostalgia no peito. Tenho que remediar desses dois erros (anime e games).

    Bela resenha!

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    1. Procura nos sites de anime, a série é bem oitentista, mas ainda agrada. Tem um design ainda atual, mas o humor e o romance bem a moda antiga. Aí, você confere o jogo, vc entra numa outra atmosfera! Abraço

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