quinta-feira, 26 de junho de 2014

GG Review - Defenders of Oasis (1992)


Saudações galera! Hoje vamos falar de RPG, especificamente portátil recomendado pelo Gagá recentemente!

Quem já jogou Beyond Oasis do Mega Drive e se tornou fã, talvez tenha se empolgado ao ouvir falar de um jogo chamado Defenders of Oasis do Game Gear. Seria uma continuação ou prequela para o jogo original? Considerando que Beyond Oasis foi um jogão, seria interessante ter um jogo da série no Game Gear para jogar na sala de espera do dentista.

Mas no final das contas Defenders of Oasis era um jogo completamente diferente que não possui nenhuma relação com o Beyond Oasis além do nome e da temática árabe. Conhecido como Shadam Crusader: Harukanaru Oukoku no Japão, este jogo é um RPG bem tradicional, que foge do estilo "Zelda" do Beyond Oasis. Mas nem por isso o jogo merece ser ignorado, aliás este review é justamente para você leitor que provavelmente não faz a menor idéia do que é Defenders of Oasis.

Bora conhecer este RPG! :)



Tela título
  • Publisher: SEGA
  • Lançamento: 18/09/1992
  • Tamanho: 512KB (4Mbit) + 8KB Backup
  • Gênero: J-RPG
  • Plataformas: Game Gear, Nintendo 3DS (eShop)

Em Defenders of Oasis, a história é centrada no reino de Shanadar. O jogador encarna o Príncipe (sem nome, aparentemente) do reino. Shanadar foi o lar de dois grandes guerreiros, Jamseed e Fallidoon. Em dias antigos, o mundo foi ameaçado pelo feiticeiro das trevas Ahriman, até que Jamseed o derrotou com o auxílio dos 3 anéis da luz. Contudo, Jamseed foi derrotado pelo rei cobra Zahhark, e assim inicia-se um período de mil anos de trevas, até que o jogem Fallidoon derrota Zahhark e a paz é restaurada no mundo. Agora, o príncipe folgado e dorminhoco vive nessa paz que está prestes a ser ameaçada pelo reino de Eflaat, um império poderoso ganancioso por poder.

Zahnark e sua busca em ressuscitar Ahriman

Durante a história, o Príncipe encontra alguns aliados, entre eles o poderoso Gênio da Lâmpada, o marinheiro Saleem e o ladrão Agmar. Juntos eles devem impedir o avanço do reino de Eflaat e evitar o renascimento de Ahriman a todo custo.

Falando sobre os personagens:

Príncipe: Este é o avatar/link do jogador com o mundo de Defenders of Oasis. O personagem é bem preguiçoso e desleixado, só pensa em dormir e sequer consegue decorar a saudação para o rei, sem contar que sua ingenuidade chega a ser irritante em alguns pontos da trama. Apesar disso, é um personagem porradeiro capaz de causar grandes danos aos adversários, embora seja o mais lento do grupo. Sua habilidade especial é a Fuga, o Príncipe é o único que pode fazer com que o grupo fuja do combate, pelo menos até o Gênio aprender a magia de fuga que é bem mais eficiente.

Gênio: Primeiro personagem jogável (Playable Character - PC) a entrar para a equipe. Ele é essencial por ser o único capaz de usar magias no jogo. Ele é um personagem de pouca profundidade, sendo mais uma ferramenta essencial para o sucesso do Príncipe e seus amigos do que um personagem marcante. No começo até o ataque normal dele parece incrivelmente poderoso, mas depois ele fica bem fracote e só vale a pena usá-lo pelas magias, que incluem poderosos feitiços de ataque, de cura e até de alterar o ambiente de determinadas dungeons, permitindo acessar lugares antes inacessíveis. Ao contrário dos outros PCs, o Gênio não ganha pontos de experiência, requerendo alguns itens para aumentar seus pontos de status (vida, MP, defesa etc).

Saleem: Marinheiro que viaja pelo mundo com o pai, este é o personagem com maior quantidade de pontos de vida e de longe o mais rápido da equipe, capaz de esquivar muitos ataques e com poucas chances de errar um golpe, mas que causa pouco dano. Possui a vantagem de "dançar", habilidade que permite atacar todos os inimigos da tela, mas com dano mais reduzido ainda. Na trama ele desenvolve o desejo de vingança depois de um trágico acontecimento, mas fora isso ele é um personagem bem raso e pouco explorado pela trama. Uma pena porque o personagem em si tem um design bacana.

Agmar: Este ladrão é de longe o melhor personagem do jogo todo, sendo o piadista da equipe que não perdoa nem as burradas que o ingênuo Príncipe comete no decorrer da aventura. Além disso, é um personagem rápido e forte, sendo capaz de causar um bom dano sem prejudicar sua velocidade. Sua desvantagem é o vigor, tem poucos pontos de vida e alguns golpes poderosos são capazes de nocauteá-lo em poucos turnos. Sua habilidade é o esconder/assaltar. Com essa habilidade Agmar se esconde, ficando imune a ataques físicos até chegar o seu turno, onde pode atacar um inimigo por trás, causando dano duplicado. Vale muito a pena ter ele na equipe!

Além desses PCs, temos alguns NPCs (Non-playable Characters) essenciais como a bela Princesa de Mahamood pela qual o Príncipe se apaixona, o pai da princesa que é um velho maluco que ao se empolgar a dor da coluna o relembra que já está velho, o terrível vilão e sacana Al-Karria que consegue enganar o Príncipe em diversos momentos, entre outros.

Jogando por 1001 noites


Defenders possui uma temática árabe caprichada e bem representada pela trilha sonora e pela arte. As músicas tem um toque árabe muito bacana, embora a parte gráfica deixe um pouco a desejar em alguns detalhes de cenário e principalmente pelos sprites dos personagens. O Príncipe mesmo parece um gordinho mercador árabe, nada a ver com o desenho dele na tela de opções ou na capa japonesa do jogo.


A jogabilidade é muito boa e bem adequada para o Game Gear. Os menus de status e batalha não são complexos, embora falte informação sobre os itens e de que forma eles modificam o status dos personagens, exigindo o uso do manual (felizmente a versão de 3DS vem com uma versão virtual do manual) ou ir na tentativa e erro. Lembra os tempos infelizes de Dragon Quest e RPGs mais antigos, mas pelo menos não há tantos menus para executar as ações, basta apertar um botão perto dos NPCs para interagir com eles e o mesmo botão perto de baús para abrí-los.

As batalhas são simples e dinâmicas, e isso é ótimo considerando a quantidade de Encontros Aleatórios que surgem no jogo. Como cada personagem possui um tipo de habilidade, é legal criar estratégias em torno da melhor forma de explorar essas habilidades. Não é nada complexo mas a vantagem é que o jogo não fica monótono, chega a lembrar bastante o Phantasy Star, inclusive no design de inimigos. Além disso, aqui o sistema possui um lance de iniciativa onde o personagem é escolhido com base em velocidade e aleatoriedade e executa a ação assim que for selecionada, ao contrário da maioria dos RPGs onde você define a ação de cada personagem e senta pra assistir o decorrer do turno.


Por fim, o jogo em si é bem fácil e não vai precisar de 1001 noites para zerar. Não tive problema nenhum em sair jogando e nem foi preciso de grinding para encarar a aventura. Tomei Game Over duas vezes apenas em alguns chefes, e um deles foi porque eu estava usando a arma errada. No geral a aventura é fácil se você não fugir das batalhas aleatórias e for evoluindo seus PCs. Além disso o jogo salva o seu progresso automaticamente, o que o torna perfeito para um portátil pois ao desligar e ligar novamente você pode recomeçar a aventura exatamente do ponto onde parou, é quase um Save State!


E claro, como grande parte dos J-RPGs a aventura é beeeem linear, chegando a ser dividida em 5 capítulos. É um preço a se pagar para ter um enredo mais focado nos PCs e na interação deles com o mundo do jogo. Mas aí vai do gosto do jogador decidir se isso é bom ou não.

Conclusão


Defenders of Oasis não é um jogão, tem suas falhas como a falta da descrição de itens e armas, mas compensa pelo charme da temática árabe e a jogabilidade voltada para um portátil. Este é um belo exemplo de como criar Phantasy Stars e Final Fantasies em consoles portáteis sem perder o lado épico de um bom e velho J-RPG. Se você é viciado por RPGs vale a pena dar uma chance em Defenders of Oasis, ainda que o nome o engane pensando ter alguma relação com o clássico Beyond Oasis. Aproveite que está a venda na eShop do 3DS. :)

Abraços e até o próximo post!

12 comentários:

  1. muito massa o teu review Adinan, não tive a oportunidade de jogar nenhum jogo do game gear, vou baixar os jogos pra mim conhecer esse console, abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Marcão! Eu fiz um post falando sobre o Game Gear e deixei uma recomendação de jogos lá, dá uma conferida: http://qgmaster.blogspot.com.br/2014/02/sega-game-gear-o-poderoso-master-system.html
      Abraços :)

      Excluir
  2. "...não faz a menor idéia do que é Defenders of Oasis..." sim, sim, esse review é totalmente pra mim, rs eu não tinha a menor ideia do que se tratava esse jogo. Assim como o Marcos falou, tb não tive muita oportunidade de jogar nada do GG. Tá na hora de eu reparar essa falha. Belo review Adinan, como sempre! =D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Até o Gagá sugerir pro Marcel eu também não tinha o menor conhecimento desse RPG, só o Gagá mesmo pra garimpar esses tesouros retrô! E valeu a pena, é um jogo perfeito para jogatinas rápidas, sem grinding excessivo e gostoso de jogar até o final, muito bom mesmo!
      Ah e bora jogar GG, Leo, tem muito jogo bacana por lá! Antes eu era mais o Gameboy mas agora tô começando a me apaixonar pelo Game Gear, sério mesmo!
      Abraços

      Excluir
  3. Um barato esse joguinho. Peguei no eshop do 3DS e me surpreendi... eu não esperava grandes coisas de um RPG para o Game Gear, e embora obviamente não tenha o nível de qualidade de um Phantasy Star da vida, ele é beeeeeem melhor do que eu imaginava. Ele tem até uma coisa rara nos RPGs da época: personagens carismáticos. O príncipe em especial é um malandro encostado que de repente se vê tendo que salvar a pátria, rs...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu pela recomendação de Defenders of Oasis, Gagá! Realmente não é um Phantasy Star mas surpreende pela boa jogabilidade, história bacana e bons personagens. Agmar é o meu predileto, tanto na história do jogo quanto nas batalhas, a habilidade de se esconder e duplicar o dano é sensacional!
      Abraços

      Excluir
  4. Um jogo bem legal pelo que eu estou vendo viu curti os gráficos dos personagens tem um enredo até que bonzinho né vou dar uma conferida nele depois e adicionar a minha lista para jogar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Confere sim Rock! Não chega a ser a melhor das histórias nos RPGs mas consegue te prender ao jogo, e tem uma jogabilidade muito boa e balanceada, perfeito para portáteis. Abraços

      Excluir
  5. Hum... Gagá tinha falado, e me bate aquela coisa de procurar este joguinho. Me lembra um pouco o Miracle Warrios, também feito pela equipe de PS . O legal é que mistura essa coisa de cultura árabe e persa. o Saleem me faz lembrar o Simbad, tem o gênio como o Mago tradicional, Agmar, o Aladdin e o Principe, parece um misto dos dois, já que Simbad e Aladdin, ambos tem uma espécie de alter-ego nas estórias, o "malandro encostado". Arihmã é o nome do Mal em Persa, na nossa cultura judaico-cristã, o "capeta". mesmo. rss RPG's curtos e mais simples fazem falta na nossa biblioteca. Valeu!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha só gostei da informação do nome Arihman. Nem sabia que era o próprio capiroto rsrsrs
      Acho que esse jogo lembra mais o Phantasy Star mesmo, principalmente no sistema de batalhas. E a temática árabe sem dúvida é o aspecto mais interessante do jogo, fugindo da velha rotina de RPGs na idade média. Vale a pena conferir, é um ótimo jogo!
      Abraços

      Excluir
  6. Adinan, mil e um perdões.

    Agora que pude dar uma lida com calma no seu review (isso que dá guardar no pocket). Olha, o joguinho me chamou atenção, viu?. Acho que tá na hora de eu começar a conhecer mais do Game Gear.

    Abraços!

    ResponderExcluir
  7. ...E fui conferir o jogo!
    Achei demais, melhor que eu pensava, e apesar da linearidade que me lembra Shining Force, eu gostei de tudo.
    Jogo árabe, só tinha Prince of Persia e Alladin, achei muito bem embasado, os monstros até onde joguei nenhum destoando, parece que a SEGA consultou algum Sheik ou leu As 1001 noites mesmo.
    Agora que joguei, relacionei melhor os personagens, Prince = Alladin, Saleem = Sinbad, e Agmar = Ali Babá. O Gênio é como Wrem de P. Star IV, como não é humano não evolui, só tem upgrade. rss

    O joguinho é ótimo pra jogar na fila do dentista ou no busão, e aproveitei meu FDS com ele sem a sensação de "preciso me concentrar, pois é RPG..".
    Acredito, chego a dizer que é melhor que Y's (heresia!)
    Agora, tomei um susto que um dos itens era "Hemp", usada como remédio na árabia clássica, mas hoje... bem, pelo menos os heróis não "usam", só o Genio, queria que tivessem incluído café, também! rs
    Novamente, parabéns pelo post!

    ResponderExcluir