domingo, 13 de julho de 2014

Hokuto no Ken - How to Use


Saudações! Aqui os fracos não tem vez! Este post de hoje é híbrido é história, é review e é guide também. Após os posts fantásticos de Leo e Douglas sobre Black Belt, vamos na fonte pra você conhecer Hokuto no Ken.



Tudo começou há 10 anos atrás. Quando acordei de madrugada e sem sono fui assistir algum filme que estava passando. Me chamou a atenção um chamado “Guerreiro da Estrela Polar”. Era diferente de filmes típicos de Jet Li ou Jack Chan. Gostei e fui procurar um pouco mais sobre a produção, meu surto foi quando soube que era uma produção de 1995, originado de um mangá antigo, o Hokuto no Ken.
Desapontado e feliz ao mesmo tempo: Este anime e mangá criado por Buroson (fã de Charles Bronson) e Tetsuo Hara, eu não conhecia. E me senti um ignorante no ramo, foi o pioneiro em violência crua, e embora eu não curta muito, tem seu papel estético na arte. Feliz fiquei quando soube da relação com um jogo que sempre adorei Black Belt!



Só fui saber disto 10 anos de depois de jogo, eu sempre achei que a fonte exclusiva de Black Belt era outro joguinho de Arcade que eu adorava,Kung Fu Master, eu curtia heróis de trajes marciais e sem rosto. Era esteticamente bonito e os jogos se pareciam demais.
Fui saber que Hokuto no Ken foi translado para vários consoles, o Mega por exemplo, usou seu nome inglês Fist of North Star e criou um fighting game.As versões 8 bits foram inspiradas em Kung Fu Master, mas quando chegou a versão ocidental, suprimiram a estória original, e os elementos que lembraram Kung Fu Master foram usados pra preencher o jogo.
Por isso, Black Belt é uma localização insuspeita, completa por si mesma. É o que vamos analisar e apresentar as diferenças neste Howto Use. Vamos contar sobre o anime (cuja primeira versão foi exibida em 4 sagas entre 1984 a 1986) enquanto damos as dicas para você arrebentar todo mundo que aparecer!

GRÁFICOS E SONS
A maior diferença entre as versões são gráficas mesmo. Há localizações que apenas mudam os nomes e o protagonista. Black Belt foi um dos mais modificados graficamente.  Em HnK, a estória se passa num futuro apocalíptico em que todo mundo faz sua própria lei. BB se passa no tempo presente, no domínio de gangues de artes marciais. A versão brasileira ainda mantém o enredo pós-explosão nuclear, e usa os cenários atuais.

A missão de Kenshiro Kasumi é fazer justiça por este mundo até derrotar Raoh, seu rival seguindo o enredo. Já Riki é percorrer pelo mundo em busca de sua amada Kyoko. Você lembrou de outro jogo? Eu também...
Em BB, os cenários são coloridos, quase alegres, o slow-scroll do fundo ainda dá a sensação de profundidade, além de economizar bytes com desenhos. As fases 2 e 5 trocadas apenas por noite e dia (efeito tão agradável em jogos como Samurai Shodown). Em HnK, os cenários aparecem destruídos, com construções underground e céu vermelho digno de Gotham City!
Os personagens de BB traziam algo gostoso do fim dos anos 80. Me sinto de volta à filmes como Aventureiros do Bairro Proibido, um boss ou outro que parece saído do Operação de Dragão de Bruce Lee e as gangues saídos do clipe Beat It do Michael Jackson! Topetes, faixas na cabeça, as pichações “coloridaças!!” escritas “fight” ou “go” são hoje tão ingênuas...  Nosso próprio herói vai à luta de kimono pra rua! HnK os vilões são de uma época mais pessimista, parecem saídos de filmes do Mad Max ou do grupo Secos e Molhados...

Shin inimigo clássico que é até chato de tão mencionado.

O que eu sempre achei que era um efeito divertido em BB, o desmontar gráfico dos inimigos, era uma coisa! Kenshiro é mestre do “Hokuto Shinken”, seu karatê/kung fu fazia explodir os inimigos! No anime, o vilão diz que nem doeu, e Kenshiro responde: omae wamo shindeiru (“você já está morto”) e “boom”! Eu nunca imaginaria.
Colonel, Senhor do Exército Divino.

Os sons são os mesmos de ambas as versões. As músicas de BB baseadas no mesmo universo marcial otimista, são alegres, não de menininhas, mas passam um otimismo. Basicamente se repetem: abertura, vinheta, scroll e boss. Já HnK elas transmitem um sentimento down, não misterioso, mas mais sério, repetindo algumas melodias do anime.A única objeção é que minha esposa sempre diz que parece o grunhido de um porco quando os inimigos despedaçam...

Toki, coadjuvante mártir, também senhor do Hokuto Shinken.
 Um dos personagens mais queridos do anime.

EXAME DE FAIXA
Qualquer um riria da jogabilidade hoje em dia: Riki/Kenshiro se vira apenas com socos e chutes simples. Isso já é o espírito do karatê. Eu já curtia o fato que não havia botão de pulo como outros, era o direcional que cuidava disso. Temos o super pulo (muito mais útil em HnK). Alguns blogs lamentaram Kenshiro não usar as técnicas especiais, elas apenas aparecem no fim das lutas e a maioria é diferente nas duas versões. Mas na época ninguém esperava usar tais golpes nos jogos de “briga de rua”. Só as técnicas aparecerem como “fatalitys” já era muito bom!
No início dos 90, eu já desejava que tivesse defesa ou algum contragolpe no estilo Takuma Sakazaki, mas não tinha em beat n’up. Tava muito bom! O game permitia que seus punhos e pés bloqueasse armas como nos animes. Vamos ao tatame, digo, à batalha!

Chapter 1
Só quando conheci a versão original, entendi porque a fase é chamada de capítulos.

Em BB, estaremos num cenário semelhante à China. Em HnK, estaremos no episódio sobre o “Southern Cross Town” e enfrentamos o estilo rival de Kenshiro em busca de sua amada Yuria. Temos mais sub-bosses: o atirador de facas, o cara do bastão, o clássico inimigo Club (em BB um espadachim chinês) que lembrava o Vega, e o gordinho.Se já jogou BB, vai ver como é difícil esta fase sem power-ups pulando!

Dica: o gordinho só cai com socos naquele lugar!
Em BB, temos Ryu (um chinês com nome japonês?!). Em HnK, você enfrenta Shin do estilo NantoSeiken, rival do Hokuto no Shin, este é o rival clássico de Kenshiro que deu a maior dor de cabeça! Eles são das constelações do Cruzeiro do Sul (Shin) e Ursa Maior. Vencê-lo é metódico: quando der socos, responda com rasteiras; quando der chutes, dê voadoras. É necessário você finalizar com um soco para desencadear o HokutoHyakuretsu Ken igual ao golpe em Ryu.
Personagem chato no desenho e no game!
Note a mesma roupa roxa de Ryu.
Após vencê-lo encontra-se com Yuria e descobre a verdade sobre eles dois. Cena exclusiva do jogo original.

Chapter 2
Em BB, estamos em algum reduto ocidental de punks, USA ou Europa, em HnK, estamos em “God Land”. Você entenderá porque os “paiakans” saltam, existem várias plataformas que deixarão o jogo frenético, neste momento a estratégia “bate e corre” vai ficar atrapalhada, precisando ir mais devagar. 

Te vejo em "A menina que roubava livros"!
Os sub-bosses parecem saídos de algum filme nazista. É melhor que um domador de circo... Se golpear o segundo duas vezes antes de aparecer, ele já é derrotado! Há um power-up que recarrega toda a vida, então aproveite.


O boss de BB era o punk Hawk, o mais fraco. Em HnK temos o Colonel do Exército Divino com seus bumerangues.Você pode ganhar sem deixa-lo reagir, basta andar e socar na direção dele. Um último soco certeiro vai vibrar e explodi-lo!

Chapter 3
Este cenário é um grande bambuzal de fazenda japonesa cheio de caratecas como você. Um único sub-boss para te enfrentar e um dojo como Kung Fu MasterGonta nos lembra de Honda de SF II

Acredite! Dá medo mesmo!
Em Devil Rebirth, o boss quebra totalmente o padrão dos boss stages, Devil é um gigante monstruoso, (quem lembra de Cassius em SaintSeiya entenderá) que lança magias, e por isso você mantém o tamanho pequeno pois o sprite seria enorme. Você o abaterá com voadoras para enchê-lo de socos no ar!

Em Legend of Cassandra será tenso até no caminho. Lembra que em BB era uma fase japonesa cheia de ninjas? Aqui em HnK são guerreiros com machado! Os paiakans mais difíceis. Há dois sub-bosses um cara de chicote e uma dupla de espadas. O boss é quase impossível. 


Em BB, era Oni (demônio em japonês) e aqui estamos na presença de ninguém menos que Toki, um dos irmãos detentores do estilo Hokuto. 

"Prisioneiro 4, tem visita familiar pra você!"
Toki é um cara do bem, mas extremamente difícil, pronto pra revidar todos os golpes. O segredo é no canto da tela, mandar chutes com uma certa sincronia até zerar ambos os life’s. Oni vira pó só sobrando a máscara, já Toki aceita sua derrota.  

Chapter 5

Em Tombstone of Holy Emperor é um remake noturno da fase 2 de ambos os jogos. BB ainda tem uma característica: subentendemos que todos os inimigos são mulheres com seios aparentes e roupas cor de rosa.
Aí, complicou! Eles te caçam nos barris e no parapeito.

 Mas os sub-bosses de lança-chamas dão outro tom porque usam as plataformas pra te perseguir. Mais tenso ainda é o boss: Você lembra de Rita que já dava dor de cabeça, pois bem, terá de enfrentar Souther, um vilão que é imune ao estilo de Kenshiro. 

Note a semelhança do corpo de Souther e Rita, te dará pesadelos...
Você deve evitar sua dança-combo e pular sua voadora. Ele só perde life com golpes que não se repetem, como uma voadora seguida de soco, ou um soco baixo seguido de rasteira. É necessário o último golpe no ar! Poucos tem paciência pra vencer!

Chapter 6
Finalmente, você enfrenta o vilão. Em BB temos o chinês Wang que detém Kyoko refém, já em HnK temos Raoh é um dos 3 conhecedores do estilo Hokuto. Agora é com você!

Lembra desta cena? Mas com outro sabor!

Quando há um sucessor, os outros conhecedores tem a obrigação de guarda-lo em segredo, ou perdem a vida. Raoh é seu companheiro de estilo e irmão. E você deve enfrentá-lo. Ao vencê-lo Raoh petrifica, já Wang paralisa meio sem explicação.

O Grande Wang reconhece o poder de Riki...
Assim eu entendia esta cena!

O BALANÇO GERAL
Decidi julgar os dois pontos da questão: e se Hokuto no Ken fosse importado pro Ocidente como tal? Quais seriam os prós e os contras?



KENSHIRO: Foi uma oportunidade perdida trazer Hokuto no Ken para a Europa, os States e o Brasil, talvez isso ajudaria a entrada mais cedo da cultura nipônica no Ocidente. No Brasil já tínhamos mais esta abertura. O jogo original é bem punk e o desafio bem maior!

RIKI: Black Belt foi uma abertura necessária, já que o EUA sempre foram mais protecionistas, não aceitavam estas importações tão fácil. Se Kenshiro é um cover do Stalonne, Riki é uma espécie de Daniel Larusso do Master. Cativou exatamente seu público por isso, e com um jogo mais “leve”. Os vilões estereotipados também eram agradáveis, ainda não estávamos tão politicamente incorretos. O desafio amaciado foi bom, porque faria muitos desistirem de cara!


Na verdade, fico feliz em terem duas versões do mesmo jogo. Duas opções, de história, de desafio e de diversão. Não importa com quem você crie, o melhor é ter o karatê bem representado por dois campeões no Master System. 


4 comentários:

  1. Excelente post Rodrigo! Legal saber que você teve o primeiro contato pela adaptação em filme, no meu caso foi pelo game de Master mesmo, depois que fiquei sabendo a verdade sobre Mônica e Wonderboy, fui pesquisar jogos localizados e descobri a real sobre Black Belt. Depois disso fui pesquisando sobre o que é Hokuto no Ken e daí comecei a me tornar fã da série de mangá/anime.

    Mas mesmo sendo fã eu sou mais a versão ocidental mesmo, por causa da atmosfera atual com os anos 80 estampados no jogo todo, e a adição de power ups como a invencibilidade que deixaram o jogo ainda mais divertido que o original, embora eu goste mais da tela de apresentação de HnK é bem mais dramática! De qualquer forma, mesmo sendo um tataravô de jogos de luta e beat'n up essa dupla ainda diverte com jogabilidade simples e o lance de tentar encontrar as fraquezas dos chefes.

    Abraços :)

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    1. Valeu, Adinan! Vi o filme e fui pesquisar mais. E de todos os hacks que conheço, este é o mais elaborado. É o mesmo jogo e ao mesmo tempo outro jogo, se me entende...
      O estilo oitentão eu gosto, vivo nesta década até hoje. Os itens no alto a mais "explicaram" o pulo duplo do herói, e caiu no gostinho certeiro dos brasileiros naquela época, eu nunca ia imaginar pq os inimigos esfarelam... A fraqueza dos chefes era o maior charme da obra. Abraços!

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  2. Eu, igual ao Adinan, também conheci primeiro o game e depois o mangá. E por isso também ainda prefiro o ambiente oitentista de BB ao mundo apocalíptico de HnK. Mas acho uma pena sim, não terem trazido o desenho pra cá junto com o jogo ao invés de uma adaptação. Seria um caso parecido com Zillion, desenho que fez muito sucesso por aqui (pelo menos pra mim, eu era fã de carterinha). Se tivesse assistido HnK eu ia pirar ainda mais no game naquela época. Mas tudo bem, Black Belt fez bonito e ficou pra história, isso que importa. Parabéns pelo pos Rodrigão! Abração.

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  3. Trazer Hokuto seria bom, Leo. Mas acho que era pesado demais, nos USA violento só eles, Era censurado mesmo. O anime no Brasil pegaria, eu acho. Mas sinceramente, eu acho que não ia investir se só conhecesse a versão original é muito pesado o desafio. Valeu!

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