quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Master Review - Battlemaniacs (1994)


Saudações galera!

Recentemente tenho jogado muito Battletoads. O blog Retroplayers teve 3 ótimos artigos a respeito do jogo, e apesar da dificuldade insana eu gosto muito dessa série. Recentemente eu consegui zerar a versão do Mega Drive, que apesar de ser mais fácil que o original do NES, foi uma puta falta de satisfação pra mim zerar no console sem save states e do começo ao fim.

Enquanto Battletoads alegra meu Mega Drive, uma das minhas tristezas era que nenhum jogo da série foi parar no Master System. Bom, ao menos era isso que eu pensava até descobrir que a Tec Toy lançou, exclusivamente no Brasil, o terceiro jogo da série: Battlemaniacs.

Mas como o "demake" deste jogo de SNES se saiu no Master System? É o que vamos conferir no Master Review de hoje.



Jukebox deste post

É claro que tenho que sugerir a trilha sonora do jogo original para acompanhar este post. O que mais gosto nas composições de Battlemaniacs é que elas conseguem unir rock pesado com o charme dos desenhos dos anos 80/90. Recomendo fortemente a trilha sonora deste game.





O jogo
  • Desenvolvedora: Syrox Development
  • Publisher: Virgin Interactive/Tec Toy
  • Ano de lançamento: 1993
  • Gênero: Ação/Beat'n up

Battlemaniacs foi lançado originalmente para o Super Nintendo. No 16-bits da Big-N o jogo tinha bons gráficos, ótima jogabilidade e uma trilha sonora estilo rock muito caprichada! Porém o jogo deixou um pouco a desejar em relação aos jogos anteriores: era bem mais curto (6 fases) e apresentava pouquíssima inovação. Era como um reader's digest do jogo original, apresentando praticamente os mesmos desafios com "cores" diferentes.

Fica difícil entender porque a Virgin decidiu criar um port deste game para o Master System, já que além de não ser o melhor game dos Battletoads, criar um demake de 16-bits não é uma tarefa muito fácil. Aliás, é interessante conferir o portfolio da empresa em relação ao Master: a maioria dos jogos são demakes de consoles superiores e computadores Amiga. Como exemplo, temos Fire & Ice e Xenom II Megablast.

Mas vale lembrar que muitos desses jogos não foram publicados, provavelmente por causa da dificuldade em concluir o port sem prejudicar a qualidade do jogo. Battlemaniacs nada mais é do que um protótipo, o que me desencorajaria a fazer uma análise deste jogo. O único motivo de analisar este game é o fato da Tec Toy pegar o protótipo da Virgen e publicar na maior cara de pau, em mais uma tentativa desesperada de aumentar a pequena porém competente biblioteca de jogos do Master. O resultado não chega a ser catastrófico, mas é de gosto duvidoso.

Mais do mesmo


Em Battlemaniacs, nossos heróis Zitz, Rash e Pimple são convidados para assistir a apresentação de uma máquina de realidade virtual. Assim que a máquina é ligada, um porco sai de dentro da máquina e sequestra a filha de um governante. Zitz tenta resgatá-la mas acaba sendo nocauteado e sequestrado também. Assim resta à Pimple e Rash entrar no perigoso mundo da realidade virtual e resgatar seus amigos.

A história é muito parecida com a do jogo original, onde o objetivo era salvar Pimple e a princesa Angélica. Mas a sensação de deja vu não acaba por aqui: temos a primeira fase com beat n' up, a segunda fase consiste em descer uma árvore, a terceira é o bom e velho (e odiado) turbo tunnel, a quarta fase é o infâme (e mais odiado ainda) ninho de cobras, a quinta é uma corrida nos trilhos parecida com a fase 11 do jogo original, e a última é uma corrida na torre contra um rato. Todos esses desafios estavam presentes no primeiro game, e embora haja algumas diferenças, o desafio é essencialmente o mesmo.

Apresentação


Comparar o jogo com a versão 16-bits seria covardia, mas até que a Virgin fez um bom trabalho aqui. Os sprites obviamente ficaram menores, mas estão bem desenhados e a movimentação é bem fluída. Eu esperava muitos slowdowns e quedas de frame, mas os gráficos não atrapalham em nada a jogatina. A única falha é que boa parte das cutscenes do jogo original foram removidas, restando apenas texto na tela na maior parte do tempo. E no final não temos nada além de uma tela de game over exibindo o placar final e os créditos, sem nenhum texto para descrever o desfecho do enredo.

Já a parte sonora deixa muito a desejar. Tudo bem que o jogo não estava pronto, mas é imperdoável a Tec Toy permitir que eu passe pela Turbo Tunnel em silêncio, sem nenhuma música empolgante ao fundo. As composições que restaram ficaram horríveis, lembrando muito pouco a trilha sonora do original; a única que se salva é a música da primeira fase, que está bem parecida com a composição original, o resto tá muito mal feito.
Os efeitos sonoros são bem fraquinhos também, consistindo em beeps e ruídos que lembram mais os jogos do Atari 2600. Nada catrastófico, mas o Master pode sim fazer muito melhor.

Jogabilidade


É aqui onde o jogo peca mais, o que deve ter justificado o cancelamento do projeto pela Virgin. Controlar os sapos não é ruim, mas a colisão é triste, causando frustração em todo o jogo. Muitas vezes o inimigo te acerta mesmo que você tenha dado o golpe antes, e alguns movimentos como a cabeçada parecem funcionar apenas quando o jogo quer, sem lógica alguma.

Tive momentos irritantes com o primeiro chefe, pois aqui a estratégia era totalmente diferente do jogo original, graças à colisão mal feita. Na fase das cobras, então, conseguir escalar nelas consiste em lutar contra bugs. Além disso, algumas regras não fazem o menor sentido: tomei um game over na fase de bônus (!) porque encostei num inimigo, o que deveria ter encerrado a fase ao invés de gastar uma vida.

Mas o jogo em si poderia ser facilmente perdoado caso fosse apenas mais um protótipo descoberto por aí. O problema é que a Tec Toy teve a cara de pau de enfiar este jogo goela abaixo dos consumidores. Felizmente o jogo em si deve ter sido raro, pois eu mesmo nunca tinha visto esse game nas prateleiras, mas imagino a frustração de quem alugou/comprou esse game.

Mas seria injusto apenas xingar o jogo sem listar suas qualidades. Se o jogo tivesse sido acabado e testado, seria um bom demake. Na maior parte do tempo o design de fases ficou intacto, e os golpes tradicionais foram mantidos, como a mão gigante e o ataque para atingir dois inimigos ao mesmo tempo. A dificuldade no geral ficou reduzida, especialmente no turbo tunnel, mas com alguns ajustes não seria difícil reproduzir o desafio do jogo original.

Mas de qualquer forma, fico me perguntando porque não portar as versões do NES? Seria uma melhor escolha, e considerando o sucesso e a popularidade do primeiro jogo, venderia que nem água em deserto na Europa e no Brasil.

Conclusão


Battlemaniacs para o Master System prova que o Master até consegue alguns pequenos feitos em relação à demakes, mas não faz milagres. É uma pena ver a Virgin escolher justo o pior capítulo da série, sendo que o primeiro jogo e até o crossover com Double Dragon são bem melhores e dariam menos trabalho para serem portados.

Mas não posso jogar toda a culpa na Virgin ou na Syrox. A maior parte da culpa é da Tec Toy, que demonstrou desespero e desrespeito aos jogadores ao lançar um protótipo como se fosse um produto finalizado. Seria muito melhor a Tec Toy deixar a biblioteca do Master do jeito como estava, pois assim como o Dreamcast, o Master System não precisa ter uma biblioteca gigante de games para ser respeitado. A lição aprendida aqui é: qualidade deve estar sempre acima de quantidade.



E é isso galera. Espero não ter sido muito chato neste post. Para compensar, segue abaixo uma das excelentes faixas de Super Battletoads, jogo lançado para arcade.


Além disso, estarei postando em breve um review bem mais positivo, de um querido e nostálgico clássico do Master System. Então, aguardem! =)

Abraços e até o próximo post!

11 comentários:

  1. Nossa, desse port eu nem fazia ideia! Excelente Review! muito bom mesmo.
    Abraço e parabens!

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  2. Já tinha ouvido falar dele em um podcast de um blog mas não sabia que era tão zuado assim viu .

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  3. Eu nem sabia que esse jogo existia até esbarrar com ele na Cruzada Master System que fiz no Gagá Games. Até fiquei surpreso com a qualidade gráfica, mas de fato, deviam ter portado a versão de NES mesmo.

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  4. Sinceramente, nem sabia da existência de uma versão para Master System desse jogo, mas pelo seu review eu acho que vou é passar bem longe dele.
    Expectativa para o próximo post cheio de nostalgia! :)

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  5. @Anônimo
    Valew, fico feliz que tenha curtido o review! =)
    Abraços

    @aki é rock
    Ele até que não é tão zuado se lembrar que esse port era um protótipo, mas sem dúvida foi muita mancada da Tec Toy lançar o jogo inacabado.

    @Orakio "O Gagá" Rob
    Pois é, os gráficos ficaram muito fiéis, é uma pena que a jogabilidade e a trilha sonora deixou a desejar. Teria sido muito mais fácil portar a versão de NES, sem contar que o primeiro jogo da série é bem mais divertido.

    @gamercaduco
    Opa valew, se tudo der certo ainda hoje consigo lançar um novo review! :)

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  6. que dizer que no Master, é possível jogar com o Pimple, meu sapo favorito nesse game. vou baixar agora e finalmente terminar o game, já que a versão do NES. tem um bug que não deixa eu passar da Rat Race. e bela materia

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  7. por que vc n faz o review do master of darkness jogao de sms

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  8. @Leandro" Leon Belmont" Alves the devil summoner
    Opa valeu, e sim, em Battlemaniacs você pode jogar com o Pimple de boa, mas recomendo que você procure a versão de SNES que é bem melhor em jogabilidade e trilha sonora. Ou melhor ainda, tente a versão de arcade, lá você pode escolher o Pimple que está ainda mais sanguinolento, e com voz. É um barato ouvir ele falar "Touch Down" ao dar uma cabeçada nos inimigos.

    @Anônimo
    Vou deixar anotado aqui a sugestão. Assim que eu puder farei um review desse game.

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  9. Opa! Eu nem sabia que tinha saido Battletoads para arcade, he, he, he...

    Quanto ao jogo da postagem, eu só vi apenas em emulador do PS2 do meu irmão. Achei ele legalzinho, mas só vi apenas a 1ª fase.

    Também, tanto faz... nem sou tão fã dos sapos brucutus mesmo.

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  10. @Big Lui
    A primeira fase realmente passa uma boa impressão, mas depois dela a qualidade cai a níveis catastróficos.

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  11. Nossa! Nem me lembrava disso aí. A virgin fez um ótimo trabalho com o jogo. Aliás, BT é uma ótima franquia que faz muita falta. No mais, adorei o review. Parabéns de verdade!

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