sexta-feira, 2 de março de 2012

Minha Temporada de... de... "Programador"

O ano era 1995 ou 1996, eu acho. O Mundo mudava de uma maneira drástica naqueles tempos. O Master System que eu tanto demorei pra ganhar estava entrando em declínio nos seus redutos, o Brasil e a Europa com a vinda dos 32 e 64 bits.
Eu como grande amante do Master System, e um moleque cheio de imaginação, mandava minha terceira carta pra Tectoy, dando sugestões de games, algumas idéias até hoje seriam interessantes, outras bobagens de moleque mesmo. Das idéias interessantes eu tinha pedido (pretensão na época) uma conversão de Street Fighter pro Master e um game do X-Men. Dava os mínimos detalhes, para ser um game bom de 8 bits. Difícil, mas achava que devia tentar. A terceira resposta que recebi da Tectoy foi... bem, educada, mas dizendo que "essa linha já estava datada e finalizada", um pouco antes da morte oficial.

Esta estória parou no ouvido de alguns amigos, ao invés (pra minha surpresa!) de virar zoação, eles acharam ótima idéia, e um amigo que manjava muito de informática me veio com uma proposta louca:
- Quer montar um game comigo?

O QUE???
 Sim, o cara com a maior tranquilidade do mundo me dizendo que podia montar um game, mas não tinha criatividade. Eu era o oposto dele.  Eu escrevia estórias de aventuras, era considerado bom desenhista (os outros acahavam, eu não) e tinha um conhecimento "intuitivo" do que o SMS podia fazer, depois de pronto, ele colocaria num cartucho (sem capa) pra nós, e quem sabe, com o fim do Master, isso não seria considerado pirataria?
Fui pra prancheta escrever e desenhar. Vendo meu entusiamo, ele falou que eu podia começar com um game já existente, como uma continuação. E adivinha qual eu pensei?
Pow, Alex?? Cê não guardava meu recarregador de life aqui?
Mexeram no meu game?

Comecei a ficar ambicioso, considerando limite de 32 cores por tela (nunca esqueci) decidi mudar a roupa de Hayato para vermelho e branco, ficaria mais style.  Sim, pensei logo num dos meus jogos favoritos do Master, o Kenseiden. A principio, pra mim bastava mudar a ordem das plataformas e dos monstros, e voilá, um game novo! Mas mudaria alguns cenários, o mapa seria o mesmo. E claro, uma queixa comum, facilitar a fase de treinamento, não 1 flecha, mas sim 2 flechas que fracassava-se nelas. Mas o meu amigo disse que podia mais: - Este game só tem 2 Mega". Entendi que os cenários, detalhes e monstros repetidos "economizam" a memória do game. Tirei o kappa (o monstro verdão) que achava meio tosco e o coloquei nos cenários de cachoeira porque este bicho na mitologia vive em rio, ora! Acrescentei que a aranha não só descia, mas subia também de alguns buracos.  Monstros novos acrescentei uma espada que luta sozinha (encantada) e uma banshee (fantasma) os ninjas teriam algum teleporte, aparecendo em outros lugares. Para dar um charme a mais, pensei que as habilidades de Hayato não ficariam limitadas aos chefões. Em alguns cenários (de transição) pensei em colocar algum lugar secreto em que encontraria algum mestre samurai que poderia desafia-lo e após sua derrota lhe ensinar alguma tática. Por fim, ao invés do gigante Yonensai, o chefão final seria um feiticeiro com direito a teleporte!
Que jogão, eu pensei. Mas depois fui saber que meu amigo tinha outros planos...
O que? vamos enfrentar aquele povo de novo no Master System?

Enquanto ele colocava toda minha massaroca mental no PC (e procurava o programa do game na Internet pré-histórica) meu amigo dizia que hoje em termos práticos, era mais fácil ter programas próprios pra jogos de luta. E queria que eu fizesse um. Eu fazia vários heróis e ele disse que tinha uns 10 que caiam bem. Mas eu fui ambicioso:
- E um game de heróis já conhecidos?
- Cara, eu seria amarradão de fazer um dos Cavaleiros do Zodíaco (a febre na época) mas acho que o Master não daria pra fazer algo à altura...
- E quem disse que pensei em Cavaleiros?
Yuyu hakusho era um game ideal. Poucos principais, nenhum golpe bizarro graficamente falando. Meu modelo era o Masters of Combat. Lá fui eu, desenhando os personagens pontinho por pontinho, cada pose. Tinha que lembrar dos poderes, mas colocar equilibrio no game. Eram 4 principais, 2 coadjuvantes, 3 vilões. Eram só 3 cenários, e vi como dava trabalho montar um final pra cada personagem. Preferi finais genéricos. hehehehe
Se o game só tivesse Yusuke, Kurama, Kuwabara e Hiei, já seria ótimo!
Nem tinha terminado este projeto, algo me gritava como um dever, outro sucesso que era uma questão de honra tornar em game....
Essa não! Eu pensando que já tinha acabado em 1985, agora vamos
parar em outro mundo maluco, o Master System!
SIM! Eu tive a audácia de fazer o storyboard em game do meu desenho preferido! Já sonhava com isso a tempos que poderia ter lançado o game, afinal, D&D, embora aqui no Brasil demorou pra associarem o desenho ao RPG, era conhecido e feito sucesso na Europa. A principio pensei num game de ação mesmo. Os personagens andavam, jogavam 2 players, e lutavam com monstros. Mas seria ruim porque não serviria para todos os personagens. Depois a idéia refinou. Achei que um "Phantasy Star" só porque é um RPG perderia a graça. Pensei em algo como Turma da Mônica: o Resgate. Um cenário total, com movimentação para diversos lados. Assim idealizei o game pelos personagens:
- Hank: atacava à distancia, com níveis maiores podia tranformar flecha em corda (nem sei se era possível).
- Eric: Podia defender, atacar com escudo (menor alcance), e nos níveis maiores podia devolver ataques.
- Bob: Maior ataque corpo-a-corpo, pode fazer terremotos de acordo com o nível.
- Diana: Mais rápida, maior salto, ataque fraco, mas podia ser distancia ou corpo-a-corpo.
- Sheyla: personagem para as dungeons, não é atacada quando invisível, usa itens mágicos (única forma de ataque) e chaves, e escala algumas pedras.
- Presto: único que usa mágicas, de acordo com o nível desde bombinhas de brinquedo (que causam mega dano) até monstros que ajudam a voar. Usa livros e caldeirões para magias de acordo com cenário.
(Não me perguntem sobre a Uni porque pensei nela como um "item"...)
Os personagens eram trocados em pontos específicos bastando chegar naquele ponto que outro personagem o esperava se quisersse trocar.
Esse deu um prazerzão de planejar castelos e pantanos, o Vingador que era encontrado em algumas fases e momentos em que aparecia o Mestre dos Magos com dicas. Pesquisei nos meus livros de AD&D alguns monstro, chorando porque tudo o que eu queria não dava em 4 Mega.

O projeto foi rolando, mas no meio do caminho, meu amigo se mudou, nunca mais tocamos no projeto, mas guardo com saudade esta época. Aí me veio um novo amigo em 1999, que ao ver minhas caricaturas, no sucesso do King of Fighters sugeriu fazer um game de luta com meus desenhos da nossa turma de amigos... =P

IA COMEÇAR TUDO DE NOVO....

16 comentários:

  1. Cara, que história bacana! Pena que vocês não conseguiram completar esse primeiro projeto. Hoje sou programador Web mas já tive minhas aventuras na criação de jogos quando era adolescente e tinha poucas habilidades de programar. Usei muito um software chamado Klik & Play e com ele fiz uma porrada de joguinho, inclusive uma sátira de uma professora de inglês onde tinha que jogar cadernos na cabeça dela rsrsrs.

    Pretendo voltar a mexer com jogos um dia, provavelmente vou usar o Game Maker ou o Flash pois nunca tive paciência de mexer com os aspectos mais "baixo nível" da programação de jogos, como a forma de desenhar os sprites na tela. Sempre gostei mais de programar a lógica e o design do jogo.

    Abraços

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    1. É uma dessas coisas que adorei fazer, mesmo dando em nada. Mas eu ficava emocionado de ver o kenseiden vermelho e branco ou a Sheyla "piscando" quando usava a capa mágica. Tudo pra 8-bits. Tinha surgido essa idéia de fazer um "The king of fighters" com uma galera de amigos, todos sabiam uma luta, ou algo que dava pra "virar" uma luta. hehehe Depois um game com personagens de uma peça de teatro minha, eu era o boss! rs
      Desenhar os sprites era comigo,mas não sou bem entendido de PC's, só desenho animado. Qualquer coisa se interessar, posso reconstruir o roteiro dos jogos, rss

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  2. Caraca, magina que legal se tivesse rolado o projeto? Eu sempre quis ver Caverna do Dragão em um game. Fodasso!!! Parabéns pela história, bacana demais!!!

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    1. Foi fantástico, cara! Ver os bonequinhos mexendo no PC, mas ainda era só 30% dos 3 games prontos. O erro foi querermos fazer vários. Devíamos ter concentrado num só projeto., coisa que levaria 1
      ano. E Brigadão! Este post me traz uma das minhas melhores lembranças.

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    2. E depois, acho que todos os retrogamers na época sonhavam com Caverna do Dragão, Thundercats ou He-Man em game. Se "amigos" montam na net versões não oficiais de pokemon porque D&D que é tão querido não poderia?

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  3. que legal essa sua história. deve ter sido complicado mexer nos gráficos dos games com a tecnologia da época. seria curioso um Caverna do Dragão num game. acho que iria mais com o Presto ou o Eric, ninguém bota fé neles, coitados. queria que esse games do Master se tornassem realidade um dia

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    1. Até que foi legal montar os gráficos, mesmo pra época. Presto e Eric tem um papel fundamental no desenho, como "escada" das piadas e nós menosprezávamos eles... Mas no game, Eric tinha tudo pra ficar apelão, hehehe
      Abraços

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  4. Que bacana seus projetos bixo... Voce nao tem nenhum vídeo deles rolando nao?
    Eu tb só assim, algumas idéias mas 0 habilidade em pc. Se eu encontrar alguém que manja como seu colega, porque nao....
    Bem legal sua memoria!

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    1. O que eu tinha estava num disquete compactado que estragou. O meu amigo levou o programa para onde ele mora atualmente, mas nem sei que fim levou...
      Mas ainda tenho uma anotação ou outra do projeto. Foi muito legal!

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  5. Cara, várias idéias fantásticas! Pena que não se tornaram verdade, mas mesmo assim pq não tentar fazer isso nos dias atuais e tentar rodar em emuladores ou mesmo um cartucho com memória flash de Master System?
    Uma dúvida que fiquei foi: vc chegou a aprender alguma coisa de programação? Te pergunto pq entendo de programação (trabalho com isso), mas infelizmente AINDA não manjo nada de programação de jogos (por preguiça, admito). Daí bate a curiosidade! :)
    Essa do jogo de luta de amigos/conhecidos já passou pela minha vida também, só que lá pra meados de 2004. Junto com um amigo meu (esse sim manja de programação de jogos), queríamos criar um jogo da galera que trabalhava na mesma empresa que a gente, mas nunca levamos a sério.
    A idéia do jogo do D&D é ótima, vc deveria tentar levar adiante!
    Curti muito a história!
    Abraços

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    1. Cara, desde que fiz Ciências humanas deletei tudo que sabia de informática, acho até que meu curso de windows "venceu" a validade.
      O jogo com a turma é que rola por aí um programa de jogos de luta você só inclui o cenário e os sprites. O povo da escola técnica que estudei fez isso. E meu amigo queria fazer com os nossos personagens de uma peça de teatro.
      Mas os projetos tão intactos guardados na gaveta velha. Os desenhos quadriculados em dots estão lá.
      A idéia do D&D ia ferver aqui no Brasil, na França e na Espanha, países que fizeram mais sucesso.

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  6. Caraca Rodrigo, adorei a tua história! Seria dahora se os seus projetos tivessem sido concluídos, gostei muito da ideia de fazer um jogo de luta com os personagens do Yu Yu Hakusho e um jogo do D&D.

    Abraços!!

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    1. Matheus, esse dois games eram minha ambição. Era muito bom viajar nestas estórias e planejar.
      Abraços

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  7. Bem, o post é antigo, mas se estiver ainda interessado, podemos trabalhar num jogo de D&D. Sou fraco para desenhar, mas sou bom de escrever histórias, tanto que tirava ótimas notas em redação. Além disso sou programador há alguns anos e venho me aventurando em fazer jogos para consoles antigos. Fica aí a dica.

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    1. Sério?!! rss Maravilha, eu entendo apenas de desenho de sprites, as ideias dá pra construir junto. Essa é a ambição de alguns membros, tanto que temos a sessão de jogos inventados. Se estiver interessado em programarmos um D&D, deixe o e-mail e/ou facebook, e conversamos. Abraços!

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    2. Meu email: filhojff@gmail.com
      Facebook: facebook.com/filhojff

      Abraços!

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